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Como o PCC saiu das cadeias paulistas e entrou na mira de Donald Trump

Facção fundada em um presídio paulista em 1993 foi classificada pelo Departamento do Tesouro dos EUA como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental

Imagem ilustrativa de ação contra o PCC • Reprodução

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental". A avaliação consta em documento divulgado na quarta-feira (1º), no qual o governo americano afirma que a facção ampliou sua atuação para diversos continentes e passou a representar uma ameaça crescente à segurança nacional dos EUA.

Segundo o comunicado, o PCC expandiu suas operações nos últimos anos e mantém presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. As autoridades americanas também afirmam que a organização utilizava o sistema financeiro dos Estados Unidos para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, além de atuar no contrabando de dinheiro em espécie.

A origem do PCC

Fundado em 1993, o PCC surgiu dentro da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no interior de São Paulo, conhecida entre os detentos como "Piranhão". O presídio era marcado por condições precárias e frequentes conflitos entre presos. A criação da facção ocorreu menos de um ano após o Massacre do Carandiru, episódio que deixou 111 detentos mortos e intensificou a tensão no sistema penitenciário paulista.

O marco da fundação aconteceu em 31 de agosto de 1993, durante um campeonato de futebol realizado na unidade prisional. Na ocasião, integrantes liderados por José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Roriz, o Cesinha, mataram dois rivais na quadra do presídio. O episódio é considerado o nascimento oficial do Primeiro Comando da Capital.

Nos primeiros anos, a facção adotou uma postura de confronto direto com o Estado, influenciada por lideranças como Geleião, Cesinha e Sombra. A estratégia mudou com a ascensão de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que reorganizou o grupo com uma estrutura hierárquica mais rígida, inspirada em um modelo de "irmandade". Sob seu comando, o PCC fortaleceu regras internas, ampliou a proteção aos integrantes e consolidou sua influência sobre o tráfico de drogas no Brasil.

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Para além do Brasil

A partir dos anos 2000, a organização iniciou um processo de internacionalização. A expansão foi impulsionada pela repressão às lideranças, pelas transferências de chefes para presídios federais e pelo uso de celulares para manter a comunicação entre integrantes. Nesse período, nomes como André do Rap, Fuminho e Cabelo Duro ganharam destaque na estrutura da facção, especialmente na Baixada Santista, considerada estratégica para o envio de cocaína ao exterior por meio do Porto de Santos.

A disputa pelo controle financeiro da organização culminou, em 2018, no assassinato de Gegê do Mangue, uma das principais lideranças do PCC nas ruas. Dias depois, Cabelo Duro também foi morto. As mortes provocaram uma crise interna após investigações indicarem que Fuminho teria ordenado a execução de Gegê sem autorização da chamada "Sintonia Final", instância máxima da facção.

Nos últimos anos, o PCC também passou a ser associado a crimes de grande repercussão. Em novembro de 2024, o delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. Investigado por lavagem de dinheiro para a organização, ele colaborava com o Ministério Público de São Paulo em investigações sobre o crime organizado. O atentado também matou um motorista de aplicativo e deixou outras pessoas feridas.

As investigações apontaram o envolvimento de policiais militares no ataque. Três agentes foram denunciados por participação no crime e respondem por homicídios qualificados e tentativas de homicídio.

O Ministério Público de São Paulo também atribui ao PCC o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil paulista Ruy Ferraz Fontes. Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por vingança em razão da atuação de Ruy contra a facção, incluindo o indiciamento de Marcola e de outros integrantes da cúpula em 2006.

Levantamento do Ministério Público paulista, divulgado em 2025, aponta que o PCC possui mais de 2 mil integrantes distribuídos em pelo menos 28 países, além do Brasil. Fora do território brasileiro, a maior concentração de membros está no Paraguai, seguido por Venezuela e Bolívia. Na Europa, Portugal lidera o número de integrantes, à frente de Espanha, França, Holanda, Irlanda, Itália, Bélgica, Reino Unido, Suíça, Alemanha, Sérvia e Turquia. O mapeamento reforça a avaliação das autoridades brasileiras e americanas sobre a expansão internacional da facção.