Kiev sofre pior bombardeio russo desde início da invasão; 27 vítimas morrem
Ofensiva massiva com mais de 500 drones e mísseis deixa 91 feridos, destrói prédios residenciais e força mais de 50 mil pessoas a buscarem abrigo no metrô da capital ucraniana

A capital ucraniana viveu nesta quinta-feira (2) o cenário mais devastador desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Uma ofensiva massiva combinando drones e mísseis deixou pelo menos 27 mortos e 91 feridos, transformando bairros residenciais em escombros e paralisando a cidade.
Embora os alertas aéreos façam parte da rotina do país há mais de quatro anos, a violência deste ataque chocou a população e as autoridades.
"Já houve muitos ataques antes, mas nunca assim. É um verdadeiro pesadelo", relatou Sabina Mambetova, de 32 anos, que já havia fugido da região de Kramatorsk e agora viu o apartamento mora, em Kiev, ser destruído.
Impacto da ofensiva em números
A magnitude do ataque forçou uma mobilização civil histórica na capital:
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Poder de fogo: segundo a força aérea ucraniana, a Rússia lançou 496 drones e 74 mísseis entre a noite dessa quarta- (1º) e a madrugada desta quinta (2).
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População encurralada: cerca de 52 mil pessoas (incluindo 4.500 crianças) buscaram refúgio nas estações subterrâneas de metrô, o maior número registrado nos últimos anos.
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Luto oficial: o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, declarou a sexta-feira como dia de luto oficial em memória das vítimas.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, confirmou que as equipes de resgate continuam trabalhando na retirada de corpos e na busca por sobreviventes em meio aos escombros de prédios desabados.
Zelensky cobra aliados e pede tecnologia Patriot
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, condenou duramente a ação e acusou Moscou de focar deliberadamente em áreas habitadas.
"A Rússia ataca exclusivamente alvos civis para obrigar a Ucrânia a renunciar ao seu Estado. Isso não acontecerá", assegurou o presidente.
Zelensky cobrou uma resposta rápida do Ocidente e pediu aos Estados Unidos uma licença que permita à Ucrânia fabricar mísseis de defesa antiaérea Patriot localmente. Ele pretende acelerar o envio de ajuda militar durante a cúpula da Otan, marcada para a próxima semana na Turquia.
Reações internacionais e o impasse diplomático
O ataque ocorre em um momento de forte tensão diplomática e estagnação nas negociações de paz:
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ONU: o secretário-geral, António Guterres, classificou o bombardeio como uma "clara violação do direito internacional humanitário" e exigiu um cessar-fogo imediato.
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Estados Unidos: a gestão de Donald Trump manifestou o desejo de costurar um acordo para encerrar as "matanças sem sentido", embora os esforços americanos para mediar um cessar-fogo continuem travados.
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União Europeia: a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, anunciou que proporá novas sanções econômicas contra entidades que financiam o complexo militar-industrial russo.
Kremlin justifica ataque como 'resposta'
Do outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou a intensidade do bombardeio, mas alegou que o alvo eram "empresas da indústria militar e instalações energéticas". Segundo Moscou, a ação foi uma retaliação aos recentes ataques ucranianos contra o setor petrolífero e infraestruturas em território russo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi categórico ao afirmar que a Rússia "continuará aumentando a pressão sobre o regime de Kiev para alcançar os objetivos estabelecidos", minimizando a possibilidade de novas sanções europeias.
Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.



