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Caveira de 33 metros entra para o Guinness durante celebração do 'Dia dos Mortos' no México

Inspirada na tradicional Catrina, personagem criada por José Guadalupe Posada, obra foi construída por mais de 140 artesãos e mantém tradição no país, homenageando a memória de quem partiu

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Obra presta homenagem ao artista mexicano José Guadalupe Posada, autor da ilustração de 1913 que inspirou La Catrina, hoje um dos símbolos mais conhecidos do Dia dos Mortos
Obra presta homenagem ao artista mexicano José Guadalupe Posada, autor da ilustração de 1913 que inspirou La Catrina, hoje um dos símbolos mais conhecidos do Dia dos Mortos • AFP

Uma Catrina — esqueleto de uma mulher elegante criado no México no início do século XX pelo artista e chargista José Guadalupe Posada — de 33,41 metros de altura entrou para o Guinness World Records como a mais alta do mundo.

A escultura foi inaugurada na noite da última quinta-feira (29), na praça Zócalo, na Cidade do México, como parte da tradicional celebração do "Dia dos Mortos". O recorde foi confirmado pelo juiz oficial do Guinness, Alfredo Arista.

Mais de 140 artesãos participaram na produção da estrutura, utilizando técnicas tradicionais de cartonería, arte mexicana de confeccionar figuras com papel e papelão.

A instalação é acompanhada por um tapete com 100 mil flores de cempasúchil, conhecidas como calêndulas, provenientes dos campos de Xochimilco, além de esculturas coloridas de axolotes.

Tradição mexicana

Durante a cerimônia de inauguração da Catrina, a chefe de governo da Cidade do México, Clara Brugada, destacou o trabalho dos artistas, floricultores e funcionários envolvidos na montagem e ressaltou o significado cultural da celebração:

"Significa recusar aceitar que a morte é o fim; é a forma mais mexicana de desobedecer à tirania do tempo", afirmou Brugada, ao defender a preservação das tradições do Dia dos Mortos.

A oferenda monumental de 2026 tem como tema a Catrina, figura criada pelo ilustrador mexicano José Guadalupe Posada e representada como uma mulher esqueleto vestida com roupas elegantes e chapéu extravagante.

Catrina tornou-se um dos principais símbolos do Dia dos Mortos, uma tradição mexicana dedicada a homenagear familiares e amigos falecidos. A exposição permanece aberta ao público até a próxima segunda-feira (2).

'Día de Muertos'

O Dia dos Mortos ("Día de Muertos") é uma das expressões culturais mais importantes e identitárias do México, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A relação entre o país e a festividade envolve uma mistura entre a história, espiritualidade e visão de mundo.

Muito antes da chegada dos colonizadores espanhóis, povos mesoamericanos, como os astecas, maias e purépechas, já cultuavam os mortos há cerca de três mil anos. Para eles, a morte não era um fim trágico ou definitivo, mas uma continuação natural do ciclo da vida e uma transformação.

Com a colonização, os rituais indígenas originais, que duravam um mês no calendário asteca, foram alinhados às datas do calendário católico de Todos os Santos e Finados (1º e 2 de novembro), criando o formato celebrado hoje.

A tradição mexicana dita que, entre o final de outubro e o dia 2 de novembro, as barreiras entre os mundos se abrem e os entes queridos retornam temporariamente ao mundo dos vivos.

As famílias montam altares elaborados, também conhecido como oferendas, nas próprias casas e cemitérios enfeitados com fotografias dos falecidos, velas para guiar o caminho, flores de cempasúchil (calêndula), caveirinhas de açúcar e o tradicional pan de muerto.

Diferente de culturas que encaram o luto apenas com tristeza, no México a data é vivida com música, cores e festa para honrar a memória de quem partiu. É também um símbolo político e cultural — representado por figuras como La Catrina — que lembra que a morte trata a todos com igualdade, além de celebrar a resistência das raízes indígenas.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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