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Governo Trump pode virar 'pato manco' com eleição de democratas, diz especialista

Democratas podem retomar o controle do Congresso Nacional e dificultar a governabilidade de Trump; inflação e guerra no Irã impulsionam a desaprovação do republicano

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O presidente dos EUA, Donald Trump • AFP

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, corre o risco de se tornar um "pato manco" caso os democratas conquistem a maioria do Congresso nas eleições de meio de mandato, as chamadas "midterms". A avaliação foi feita por Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela USP e especialista em Estados Unidos, em entrevista à CNN 360º, nessa sexta-feira (30).

A expressão, amplamente utilizada pela imprensa americana, descreve um governo que perde governabilidade ao não contar com o apoio do Legislativo. Pedro Costa Júnior lembra que Trump iniciou seu mandato com ampla legitimidade política.

"Ele venceu no colégio eleitoral e no voto popular, venceu em todos os swing states", afirmou o especialista, destacando que essa combinação de vitórias não ocorria há muito tempo.

Com o Congresso, o Senado e a Suprema Corte sob influência republicana, os primeiros dois anos do atual governo foram marcados por grande capacidade de aprovação de pautas. "Ele praticamente passou tudo o que ele quis passar nesses dois anos", disse.

Contudo, as pesquisas apontam para uma retomada democrata tanto na Câmara quanto no Senado, embora a disputa pela Casa Alta seja considerada mais acirrada. Pedro Costa Júnior destacou que essa eleição tem caráter plebiscitário.

"Ela é muito mais plebiscitária do que regional. É sobre a continuação dessa governabilidade ou não do governo de Donald Trump", afirmou o especialista.

Ele também ressaltou que, historicamente, as "midterms" tendem a favorecer a oposição, o que já representa um obstáculo adicional para o Partido Republicano.

No que diz respeito ao cenário interno dos partidos para as próximas eleições presidenciais, Pedro Costa Júnior apontou que tanto republicanos quanto democratas enfrentam desafios de renovação geracional.

No campo republicano, nomes como JD Vance e Marco Rubio são cotados. "Vai ter uma briga fratricida, quase uma guerra civil entre Rubio e Vance dentro do Partido Republicano", avaliou o especialista.

Já entre os democratas, nomes como Ocasio Cortez e Bernie Sanders foram mencionados, mas o partido ainda busca consolidar uma candidatura forte para enfrentar o pleito daqui a dois anos.

Pedro Costa Júnior também apontou dois fatores centrais para a baixa popularidade de Trump, que registra 31% de aprovação — o que, segundo ele, representa a maior rejeição da história de um presidente americano. O primeiro é a inflação, que Trump prometeu controlar e não conseguiu.

O segundo fator é o envolvimento dos Estados Unidos em um conflito armado com o Irã, contrariando a promessa de não iniciar novas guerras. O especialista lembra que Trump chegou a afirmar que o conflito duraria seis dias, mas a guerra já ultrapassa seis meses sem previsão de encerramento, impactando os preços de energia e abalando a confiança de parte de sua base eleitoral.

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