Candidata à chefia da ONU defende regulamentação da IA nos moldes das armas nucleares
Ivonne A-Baki defendeu, nesta quarta-feira (16), que inteligência artificial deve ser submetida a regras internacionais e alertou para riscos de uma eventual Terceira Guerra Mundial envolvendo a tecnologia

A candidata à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ivonne A-Baki defendeu, nesta quarta-feira (16), que a inteligência artificial (IA) seja submetida a uma regulamentação internacional semelhante à aplicada às armas nucleares. A diplomata equatoriana-libanesa afirmou que a tecnologia pode representar um novo risco para a segurança mundial e alertou para a possibilidade de uma futura guerra envolvendo sistemas de inteligência artificial.
Indicada pelo Reino de Tonga para disputar o cargo, A-Baki afirmou à Agência France-Presse (AFP) que o mundo estaria próximo de uma Terceira Guerra Mundial e que, nesse cenário, os riscos não estariam restritos ao armamento nuclear. “Não será apenas o perigo nuclear, mas também a inteligência artificial”, afirmou a candidata.
Para A-Baki, a ausência de armas nucleares e a criação de mecanismos internacionais para controlar a IA estão entre as principais questões que deveriam ser enfrentadas pela comunidade internacional. “Precisamos de uma inteligência artificial regulamentada. Haverá um grande abismo se não a regulamentarmos”, declarou à AFP.
Candidata defende acordo entre EUA e China
A-Baki também defendeu uma aproximação entre Estados Unidos e China para estabelecer parâmetros comuns sobre o desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo ela, as duas potências tecnológicas deveriam cooperar em vez de tratar o avanço da IA como uma disputa estratégica. A candidata citou os presidentes Donald Trump e Xi Jinping e afirmou que um acordo entre Washington e Pequim seria importante para reduzir riscos relacionados à tecnologia.
A questão ganhou ainda mais relevância diante da competição entre os dois países pelo domínio da inteligência artificial. Os Estados Unidos e a China mantêm divergências sobre tecnologia, acesso a chips avançados e regras para o setor. A discussão também envolve o uso militar da IA. Entre os riscos debatidos por especialistas estão sistemas autônomos, aplicações em conflitos e a necessidade de manter supervisão humana sobre decisões críticas.
Secretário-geral também pede coordenação internacional
As declarações de A-Baki ocorreram no mesmo dia em que o atual secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu maior cooperação internacional para lidar com os riscos da inteligência artificial. Guterres afirmou que o desenvolvimento da tecnologia está avançando mais rapidamente do que a compreensão sobre seus riscos. Para ele, ações nacionais são importantes, mas não suficientes para enfrentar problemas que ultrapassam fronteiras.
O secretário-geral classificou a IA descontrolada como uma das três ameaças existenciais atuais, ao lado da crise climática e do aprofundamento das desigualdades. A ONU também vem defendendo a criação de princípios e compromissos compartilhados entre países para estabelecer mecanismos de governança da inteligência artificial, incluindo questões de segurança, direitos humanos e desigualdade no acesso à tecnologia.
Debate sobre segurança da IA cresce entre empresas
O debate internacional ocorre em meio a divergências dentro da própria indústria de tecnologia sobre a velocidade com que a inteligência artificial deve avançar. Executivos de empresas como Anthropic e OpenAI defenderam medidas para aumentar a segurança e, em alguns casos, uma desaceleração coordenada do desenvolvimento para permitir a criação de mecanismos de proteção.
A discussão envolve diferentes propostas sobre quem deveria estabelecer e fiscalizar as regras: governos, organismos internacionais, empresas ou avaliadores independentes. Também há divergências sobre até que ponto medidas de segurança poderiam afetar a competição tecnológica entre países.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Agence France-Presse é uma agência de notícias francesa, a AFP cobre a atualidade mundial com uma qualidade única de produção multimídia em vídeos, textos, fotos e infográficos em seis línguas.




