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Bill Gates presta depoimento em comissão que investiga o criminoso sexual Jeffrey Epstein

Cofundador da Microsoft havia sido convocado em abril deste ano; ele aparece entre os nomes mencionados em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça

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Bilionário Bill Gates e Jeffrey Epstein
Bilionário Bill Gates e Jeffrey Epstein • Reprodução / Redes Sociais

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, compareceu nesta quarta-feira (10) ao Congresso dos Estados Unidos para testemunhar diante de uma comissão que investiga as conexões do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Na ocasião, ele negou ter presenciado condutas criminosas de Epstein, enquanto os dois eram amigos. O bilionário aparece entre os nomes mencionados em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça, que revelaram amizades próximas, operações financeiras ilícitas e fotos privadas de personalidades proeminentes com Epstein.

Ao entrar na sala de audiências, Gates disse aos jornalistas esperar que o depoimento dele "seja útil para o trabalho, um importante trabalho, de comitê para encontrar justiça para as vítimas". Um porta-voz do bilionário disse que Gates vê com bons olhos a oportunidade de comparecer ao Congresso e ressaltou que nunca havia testemunhado nem participado das atividades ilegais de Epstein.

A comissão convocou o cofundador da Microsoft depois que documentos divulgados pelo Departamento de Justiça levantaram novas dúvidas sobre a relação dele com Epstein. Os arquivos do caso incluem um rascunho de e-mail aparentemente escrito por Epstein em 2013, no qual ele menciona relações extraconjugais de Gates.

Na mensagem, que ao que parece não chegou a ser enviada, o criminoso sexual se gabava de ter ajudado ele a conseguir medicamentos para "remediar as consequências de ter tido relações sexuais com garotas russas".

Durante o depoimento, Gates negou ter conhecimento sobre condutas criminosas de Jeffrey Epstein e ter "vitimizado" alguém. "Nunca presenciei nem tive qualquer indício de que Epstein estivesse envolvido em condutas criminosas em andamento. Nunca fui à ilha dele, à sua fazenda nem à sua casa na Flórida. Nunca vitimizei ninguém", disse.

Bill Gates admite ter cometido 'um grave erro'

Em fevereiro, Bill Gates, admitiu ter cometido "um grave erro" ao se relacionar com Epstein. A declaração ocorreu em uma assembleia geral com funcionários da "Fundação Gates" — instituição filantrópica do bilionário — em que ele confirmou o fato de ter tido relações extraconjugais com duas mulheres russas, mas negou ter tido qualquer ligação com os crimes cometidos por Epstein.

Na ocasião, Bill Gates disse que "foi um grande erro passar tempo com Epstein" e organizar reuniões entre os dois. Ele também descreveu os casos amorosos que teve:

"Sim, tive casos amorosos: um com uma jogadora russa de bridge [jogo de cartas], que conheci em eventos, e outro com uma física nuclear russa que conheci em atividades de negócios”, afirmou o bilionário. Gates reiterou que não fez e nem viu nada ilícito.

Os documentos divulgados expõem que o bilionário e o agressor sexual tinham uma amizade próxima, revelando acordos financeiros ilícitos e fotos privadas. Em um rascunho de e-mail divulgado pelo Departamento de Justiça, Epstein afirmou que Gates manteve relações extraconjugais.

Ele escreveu que sua relação com Gates ia desde “ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de ter feito sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas”.

O cofundador da Microsoft disse que sua relação com Epstein começou em 2011, três anos depois do agressor sexual ter se declarado culpado de solicitar a prostituição de uma menor de idade.

"Saber o que sei agora torna isso 100 vezes pior, não apenas em termos de seus crimes no passado, mas agora está claro que havia uma conduta imprópria contínua", disse Gates à equipe.

Quem foi Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano bem-sucedido. Ele enriqueceu com o próprio fundo de investimentos, o "Jeffrey Epstein VI Foundation" e convivia com celebridades, políticos, membros da realeza e outras pessoas de renome e fama mundial.

Em 2008, Epstein foi condenado por exploração sexual. Ele pagava garotas menores de idade por massagens a pessoas do seu ciclo social na Flórida. Um acordo judicial secreto o livrou de um julgamento federal e sentenciou a 13 meses de prisão.

Pouco mais de uma década depois, o financista foi acusado e preso por organizar uma rede de exploração sexual de menores, com as quais manteve relações sexuais em suas propriedades nos Estados Unidos e em outros países. Nomes famosos fariam parte desta rede, como o do Príncipe Andrew, da Inglaterra. Epstein cometeu suicídio em 2019, pouco depois de ser preso, antes de ser julgado pelo crimes levantados pelo FBI.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.