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Ataque do Paquistão em Cabul mata mais de 400 pessoas, acusa Afeganistão

Paquistão rejeita a denúncia e afirma que os bombardeiros aconteceram no leste do Afeganistão, sem vítimas

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Afegãos aguardam do lado de fora em busca de notícias de seus parentes no local após ataques aéreos paquistaneses • WAKIL KOHSAR / AFP

O governo do Afeganistão acusou o Paquistão, nesta terça-feira (17), de comandar um ataque a uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Cabul, que matou mais de 400 pessoas. Por outro lado, o Paquistão rejeitou a acusação e afirmou que os bombardeiros foram realizados no leste do Afeganistão, não atingindo civis.

Os dois países estão em conflito há meses. O Paquistão afirma que a Afeganistão abriga combatentes do Movimento dos Talibãs Paquistaneses (TTP), que reivindicaram atentados mortais no território. Porém, as autoridades afegãs negam a acusação.

O ataque paquistanês na capital afegã aconteceu durante a noite da última segunda-feira (16) e atingiu o hospital que, segundo fontes médicas, abrigava entre 2 mil e 3 mil dependentes químicos. O porta-voz do Ministério da Saúde do Afeganistão, Sharafat Zaman, divulgou o número parcial de mortos e feridos. "O balanço não é definitivo; as operações continuam, mas temos quase 400 mortos e mais de 200 feridos", declarou.

O vice-porta-voz do governo, Hamdullah Fitrat, também mencionou o balanço de 400 mortos. O número não foi verificado por fontes independentes, mas jornalistas da Agence France-Presse observaram pelo menos 30 corpos e dezenas de feridos no centro médico após o ataque.

Em contrapartida, o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, afirmou que as acusações afegãs são "completamente infundadas". "Nenhum hospital, centro de reabilitação ou instalação civil foi alvo de ataques", escreveu Tarar em uma rede social. Ele ainda afirmou que o exército paquistanês efetuou seis ataques "precisos, deliberados e profissionais".

Mais de 100 pessoas tentavam obter notícias de parentes que estavam no hospital, após o ataque aéreo. "Estou aqui desde ontem à noite. Procuro meu irmão, mas não o encontro. O que posso fazer?", declarou Habibullah Kabulbai, de 55 anos.

O irmão mais novo dele, Nawroz, foi internado há cinco dias. "Estamos desamparados, isso não acontece apenas comigo, mas com todo o Afeganistão", acrescentou, ao lado de outras famílias em busca de respostas.

Profissionais da saúde também ficaram feridos. O teto de um dos prédios do hospital desabou e atingiu o médico Azmat Ali Momand, de 30 anos. "Eu tinha terminado de examinar os pacientes e estava fazendo as abluções (antes da oração) quando ouvi a explosão. O teto desabou sobre mim", disse à AFP.

Conflito entre Afeganistão e Paquistão

Após o ataque, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados exigiu uma investigação "rápida e independente" sobre o ataque, o mais letal no conflito dos últimos meses entre os dois países. A crise entre o Afeganistão e Paquistão se agravou em outubro de 2025, resultando em dezenas de mortos.

O conflito entre os países se intensificou ainda mais em fevereiro deste ano, quando o governo do Paquistão anunciou uma "guerra aberta" em 27 de fevereiro e, no mesmo dia, atacou Cabul.

Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), 75 civis afegãos morreram entre 26 de fevereiro e 13 de março e mais de 115.000 famílias foram deslocadas nas províncias do leste e do sul. O Paquistão também relatou mortes entre a população civil.

*Com informações da AFP 

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.