Americanos ganham Nobel de Economia por trabalhos sobre estabilização macroeconômica
Robert E. Hall e Michael Woodford desenvolveram estudos sobre como a observação do comportamento de empresas e famílias pode ajudar a adotar medidas eficazes para estabilizar a economia

Os americanos Robert E. Hall e Michael Woodford ganharam, nesta segunda-feira (12), o Prêmio Nobel de Economia de 2026 por explicar os "fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica".
De acordo com a Academia Real das Ciências da Suécia, os pesquisadores desenvolveram trabalhos sobre como a observação do comportamento de empresas e famílias pode ajudar a adotar medidas eficazes para estabilizar a economia.
"Os trabalhos dos premiados nos deixaram uma base teórica sólida para os modelos utilizados hoje em dia por bancos centrais e governos de todo o mundo", disse John Hassler, presidente do comitê do Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel.
"Graças a esses modelos, estamos mais bem equipados para enfrentar impactos econômicos, como crises energéticas ou mudanças repentinas no nível de consumo das famílias", acrescentou.
Durante o choque do petróleo da década de 1970, os modelos keynesianos, usados há décadas para determinar como e quando aplicar medidas para enfrentar recessões e outras oscilações econômicas, mostraram-se ineficazes.
Diante desse cenário, Hall e Woodford optaram por desenvolver novas ferramentas para entender quais seriam as medidas mais eficazes.
"Em vez de basear os modelos na relação estatística entre variáveis macroeconômicas como inflação, produção e consumo, eles escolheram construí-los sobre uma base microeconômica", destacou o júri.
Dessa forma, eles estudaram como o comportamento das famílias e das empresas, com suas ações e preferências individuais, impacta o conjunto da economia.
"Com base nesses modelos, medidas fiscais e monetárias adotadas no momento certo podem atenuar as oscilações da atividade econômica", destacou o júri em um comunicado.
'Honra imensa'
"É uma honra imensa. É uma surpresa, mas estou realmente feliz", disse, em uma primeira reação, Michael Woodford, nascido em 1955.
Robert Hall, de 83 anos, já havia considerado em 1978 que, se as famílias gastam antecipando o que ganharão no futuro, qualquer variação em seu padrão de consumo dependerá de informações novas e imprevisíveis.
"Ao compreender o efeito da antecipação nas decisões de consumo, Hall resolveu um problema que intrigava os pesquisadores há muito tempo", explicou o júri.
No ano passado, o prêmio foi concedido ao americano-israelense Joel Mokyr, ao francês Philippe Aghion e ao canadense Peter Howitt, por seus trabalhos sobre o impacto da inovação no crescimento econômico.
O prêmio de Economia é o único que não consta entre os cinco originalmente criados com base no testamento do cientista sueco Alfred Nobel, falecido em 1896.
O Prêmio Nobel, que consiste em um diploma e um cheque de 12 milhões de coroas suecas (pouco mais de um milhão de dólares ou R$ 4,9 milhões), será entregue no dia 10 de dezembro.
* AFP
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