Agência dos EUA confirma chegada do El Niño; saiba como vão ser os impactos climáticos
Fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial; agência climática aponta que El Niño de 2026 pode um dos maiores registrados desde 1950

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou, nesta quinta-feira (11), a formação do El Niño — fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Um boletim emitido pela agência climática indica chances do fenômeno ser um dos maiores registrados desde 1950.
A chegada do El Niño no país já era aguardada por meteorologistas, que se baseavam em dois fatores: meses de aquecimento gradual no Pacífico e projeções indicando alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno ainda no primeiro semestre de 2026. Segundo a agência climática dos EUA, as condições do El Niño estão presentes e "espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte".
No mês de maio, a NOAA apontava 82% de chance de formação de El Niño nos meses seguintes. Agora, a discussão está focada em qual será a intensidade do fenômeno. O boletim divulgado pela agência climática norte-americana indica 63% de probabilidade de que se torne muito forte, com potencial para entrar no grupo dos maiores eventos registrados desde 1950.
"Há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o período de novembro a janeiro, que se classificaria entre os maiores eventos El Niño já registrados historicamente, desde 1950", afirma a NOAA.
O El Niño acontece com frequência a cada dois a sete anos, tendo duração médica de doze meses. O fenômeno gera impacto direto no aumento da temperatura global. A chegada do El Niño preocupa, uma vez que o planeta já está mais quente por conta das mudanças climáticas.
Entretanto, é importante destacar que o fenômeno, sozinho, não causa o aquecimento global — sendo apenas uma variação natural do sistema climático. Porém, quando acontece em um cenário que o mundo já está aquecido, pode reforçar extremos de calor, seca e chuva intensa.
Confira a ocorrência do fenômeno, com aumento da temperatura média das águas do Pacífico, na animação abaixo (registrada em 2023, última vez em que o El Niño havia sido registrado desde então):

Quais os impactos do El Niño?
Um El Niño pode afetar a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia, a ocorrência de queimadas e até o preço de alimentos em algumas regiões. No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região e época do ano, veja abaixo, os maiores impactos do fenômeno:
- Região Sul: tende a registrar aumento significativo no volume de chuvas, elevando o risco de temporais, enchentes, alagamentos e cheias de rios.
- Região Sudeste: provoca um aumento nas temperaturas médias, com ondas de calor mais intensas e frequentes, além de períodos com baixa umidade do ar. Há também o risco de atraso no início do período chuvoso.
- Região Norte e Nordeste: sofrem com a redução das chuvas, o que aumenta a vulnerabilidade a secas prolongadas, perda de umidade do solo e risco de queimadas.
Assim, dependendo da região brasileira, os impactos ultrapassam as condições climáticas e podem atingir outros âmbitos, com consequências econômicas e sociais:
- Agropecuária: as secas nas áreas centrais, norte e nordeste podem prejudicar a safra de culturas de sequeiro, enquanto o excesso de chuva no Sul pode causar problemas de colheita.
- Recursos Hídricos e energia: a redução das chuvas em bacias estratégicas pode impactar os reservatórios de hidrelétricas e o abastecimento de água urbano.
- Preços de alimentos: as quebras de safra geradas por eventos extremos em vários países podem pressionar para cima os preços de commodities agrícolas.
O que é o El Niño?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico, na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras.
Tal aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. O fenômeno também influencia a temperatura global. Assim, em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registar calor acima da média.
Veja uma linha do tempo do fenômeno nos últimos anos:
- 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
- 2009–2010: El Niño moderado.
- 2014–2016: El Niño muito forte, com recordes de calor.
- 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com menores impactos.
- 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



