O El Niño está chegando: especialista prevê chuvas intensas nos próximos meses
Fenômeno pode provocar temporais em diversas regiões da América Latina a partir de julho

O ano de 2026 contará com o retorno do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre. Segundo informações divulgadas pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, o risco de formação de um novo fenômeno até o fim do ano chegou a 98%.
A alta probabilidade acende o alerta para possíveis eventos climáticos extremos que o mundo enfrentará ao longo do ano, incluindo chuvas intensas em diversas regiões da América Latina, como o Brasil e Chile, a partir de julho.
Embora as previsões apontem para o desenvolvimento do El Niño ainda em 2026, especialistas do clima explicam que o fenômeno ainda não se consolidou, de modo que estamos em um período chamado de “transição climática”.
De acordo com Alejandro Sepúlveda, meteorologista do portal chileno Megatiempo, os efeitos mais significativos do El Niño sobre o clima e, em especial, sobre o volume de chuvas só poderão ser sentidos a partir da segunda metade do inverno.
"Quando o El Niño chegar, o que ainda não aconteceu, não será como acender as luzes. O El Niño chega e começa a chover. Não é assim", explicou.
O especialista ainda afirma que o aquecimento do Oceano Pacífico precisa encontrar uma "conexão" com a atmosfera antes de gerar mudanças significativas no clima da região. "Isso pode levar mais um ou dois meses", observou.
Por isso, o maior número de chuvas será observado a partir de julho, com pico no mês de agosto.
Entretanto, Sepúldeva lembra que o comportamento e extensão das chuvas dependerá de outros fatores. Segundo o meteorologista, é necessário observar como a primavera se comportará, considerando que o auge do aquecimento do oceano poderá ocorrer somente entre setembro e outubro.
Em relação à intensidade do El Niño, ele afirmou que as previsões continuam a mostrar sinais importantes de alerta. "Tudo indica que estará entre os cinco maiores”, comentou.
No entanto, ele destacou que é necessário cautela, já que ainda é muito cedo para prever as consequências exatas do fenômeno sobre o clima. "Continuaremos analisando; não vamos nos precipitar, vamos proceder com calma", concluiu.
Como o El Niño atua
O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aumento de 0,5°C na temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele acontece em ciclos que variam entre dois e sete anos, costuma permanecer ativo por aproximadamente um ano e provoca impactos significativos no clima mundial, contribuindo para a elevação das temperaturas médias globais.
No território brasileiro, os efeitos diferem de acordo com a região. No Sul, episódios de El Niño geralmente estão associados ao aumento das chuvas, ocorrência de temporais, enchentes e elevação do nível dos rios. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar menos chuvas, temperaturas mais altas e maior probabilidade de seca e queimadas.
As projeções para o segundo semestre de 2026 indicam uma forte influência do Oceano Pacífico sobre o clima da América do Sul. Entre os possíveis impactos estão ondas de calor no Centro-Oeste, intensificação das queimadas no sul da Amazônia e tempestades frequentes na Região Sul, além de reflexos também previstos para a Argentina e o Uruguai.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



