El Niño de 2026 pode causar catástrofe global? Entenda
Metsul destaca que o cenário atual em 2026 apresenta uma realidade completamente diferente, caracterizada por uma elevada capacidade de previsão e de reação global

Apesar dos alertas emitidos por modelos climáticos sobre a formação de um fenómeno de grande intensidade no Oceano Pacífico Equatorial para o final de 2026, de acordo com o portal Metsul, especialistas garantem que o mundo não testemunhará uma catástrofe global humanitária semelhante à que ocorreu entre 1877 e 1878.
Naquela época, o evento climático extremo alterou drasticamente os padrões de chuva e temperatura em vários continentes, provocando secas severas e inundações massivas que resultaram na fome e na morte de milhões de pessoas em escala mundial.
Ainda conforme publicado pelo Metsul, no Brasil, o episódio marcou profundamente a história do Nordeste devido à devastação provocada, o que acabou por influenciar políticas públicas nas décadas seguintes, como a construção de açudes e obras de combate à seca, além de deixar marcas culturais eternizadas na literatura e na memória popular da região.
Meteorologistas ressaltam que utilizar apenas a intensidade do aquecimento das águas do oceano para traçar um paralelo direto entre os dois momentos é um erro conceitual grave, pois desconsidera por completo o contexto histórico do século XIX.
Em 1877, a humanidade não dispunha de sistemas de monitorização meteorológica, satélites ou modelos numéricos de previsão, fazendo com que o El Niño só fosse percebido quando os seus impactos destrutivos já estavam em curso. Adicionalmente, a infraestrutura socioeconómica da época agravou profundamente a situação, uma vez que a agricultura dependia quase que exclusivamente de colheitas locais, sem redes estruturadas para o transporte ou armazenamento de alimentos, e muitas regiões sob domínio colonial enfrentavam a desestruturação dos seus sistemas tradicionais de sobrevivência.
O Metsul destaca que o cenário atual em 2026 apresenta uma realidade completamente diferente, caracterizada por uma elevada capacidade de previsão e de reação global. Atualmente, os avanços tecnológicos permitem antecipar a formação do fenómeno com meses de antecedência, possibilitando que governos, agricultores e a comunidade internacional adotem medidas preventivas e planeiem a distribuição de recursos.
Paralelamente, o comportamento da atmosfera global também se transformou ao longo dos últimos 150 anos. Enquanto no final do século XIX os vulcões exerciam um papel de resfriamento temporário no planeta, a Revolução Industrial deu início ao aumento contínuo e gradual das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, em especial o dióxido de carbono oriundo da queima de carvão.
Essa tendência de aquecimento global de longo prazo mantém-se consolidada na era moderna, mesmo diante de eventos pontuais de resfriamento, como a erupção do Monte Pinatubo em 1991, que reduziu temporariamente as temperaturas globais por cerca de dois anos sem reverter o padrão geral de aquecimento.
Assim, conforme o Metsul, embora o El Niño de 2026 seja considerado muito forte e traga desafios significativos com a alteração do clima global, a combinação atual de conhecimento científico, infraestrutura logística e preparação logística garante que a dimensão da tragédia humanitária vivida em 1877 não se repita.
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