Veja tudo o que se sabe sobre a morte de menino de 3 anos espancado pelo pai no RS
O principal suspeito é o pai da criança, um norte-americano de 33 anos que se apresentava como missionário religioso

Um menino de apenas 3 anos morreu após quatro dias internado em estado gravíssimo depois de ser brutalmente espancado dentro da própria casa, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O principal suspeito é o pai da criança, Dandre Jermaine Grayson, um norte-americano de 33 anos que se apresentava como missionário religioso e confessou as agressões à polícia.
A investigação aponta que a violência fazia parte da rotina da família. Além da morte do menino, a mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa por suspeita de omissão, enquanto a Polícia Civil investiga se ela também era vítima de violência doméstica.
A seguir tudo que se sabe:
- Como aconteceu o crime?
- Qual foi a causa da morte?
- O pai foi preso?
- Por que a mãe foi presa?
- O que aconteceu com os outros filhos do casal?
- A família já havia sido investigada?
- Quem é o suspeito?
- O que se sabe sobre a família?
Como aconteceu o crime?
As agressões ocorreram no último domingo (5), na residência da família, em Viamão. Segundo a Polícia Civil, o pai afirmou que atacou o filho, Oliver Golden Grayson, porque o menino não teria lhe dado "bom dia".
Em depoimento, Dandre Grayson confessou que desferiu socos contra o tórax e o abdômen da criança e também bateu a cabeça do filho contra o chão.
O menino foi levado inicialmente ao Hospital de Viamão e, devido à gravidade dos ferimentos, transferido para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) de Porto Alegre, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Apesar dos esforços da equipe médica, ele morreu na tarde de quarta-feira (8).
Qual foi a causa da morte?
De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pelo caso, a intensidade das agressões provocou lesões extremamente raras e graves.
Entre os ferimentos identificados estão:
- Deslocamento do coração dentro da cavidade torácica;
- Achatamento do crânio;
- Múltiplos traumas provocados pelos espancamentos.
A polícia afirma que a violência empregada contra a criança foi extrema.
O pai foi preso?

Dandre Jermaine Grayson foi preso em flagrante no mesmo dia das agressões.
Posteriormente, durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
Com a morte da criança, ele deverá responder por homicídio duplamente qualificado.
Segundo a investigação, ele alegou que utilizava castigos físicos como forma de disciplinar os filhos.
Por que a mãe foi presa?
Mayanna Angelina Rodgers foi presa preventivamente nesta quinta-feira (9).
Segundo a delegada Luana Medeiros, há indícios de que ela era, no mínimo, conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o filho.
Apesar disso, a Polícia Civil investiga se a mulher também sofria violência doméstica.
Conforme a delegada, existem fortes indícios de que ela era vítima de agressões cometidas pelo marido.
O que aconteceu com os outros filhos do casal?
Durante a investigação, a Polícia Civil constatou que os outros quatro filhos do casal — de 1, 5, 7 e 9 anos — também apresentavam indícios de agressões.
As crianças passaram por exames físicos e psicológicos e foram retiradas da guarda dos pais.
Elas foram acolhidas em um abrigo e estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão.
A família já havia sido investigada?
Os investigadores descobriram que o histórico de violência não começou no Rio Grande do Sul.
A família já havia sido alvo de registros policiais e de atendimentos de conselhos tutelares em outros estados.
Um dos casos ocorreu em 2024, em Águas de Lindóia (SP), quando houve denúncia de agressão contra outro filho do casal, então com 7 anos.
O processo acabou sendo arquivado em agosto de 2025 porque a família não foi localizada para receber intimação.
Quem é o suspeito?
Segundo a Polícia Civil:
- Dandre Jermaine Grayson tem 33 anos e é natural dos Estados Unidos;
- Ele se apresentava como missionário evangélico;
- Até o momento, não foi confirmado vínculo com nenhuma igreja.
O que se sabe sobre a família?
O casal vivia no Brasil havia cerca de nove anos e passou por diferentes estados antes de se estabelecer em Viamão, onde morava há aproximadamente sete meses.
Os cinco filhos nasceram no Brasil e, segundo a polícia, não possuem familiares no país.
De acordo com a investigação, a família enfrentava dificuldades financeiras.
Segundo a delegada Luana Medeiros, eles sobreviviam com doações e ajuda financeira de pessoas ligadas à comunidade religiosa.
As investigações indicam que as agressões faziam parte da rotina familiar.
Segundo a Polícia Civil, o casal afirmou que acreditava estar seguindo princípios culturais e religiosos para disciplinar os filhos, utilizando punições físicas e psicológicas como forma de correção.
A investigação agora busca esclarecer a participação da mãe nas agressões, verificar a extensão da violência sofrida pelas outras quatro crianças e concluir o inquérito que apura o homicídio do menino de 3 anos.
O que diz a defesa?
"NOTA TÉCNICA DA MÃE DE OLIVER
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.
Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.
A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.
Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415
Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.





