Belo Horizonte
Itatiaia

Mãe de criança espancada e morta pelo pai, missionário dos EUA, é presa por omissão

Polícia Civil apura se mulher também não era vítima de agressões cometidas pelo marido; outros quatro filhos do casal estão sob responsabilidade do Conselho Tutelar

Por
Imagem ilustrativa. • Banco de imagens Canva

A mãe do menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai também foi presa pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A mulher, que não teve a identidade revelada pelas autoridades, foi detida preventivamente nesta quinta-feira (9) e pode responder por omissão no episódio de agressão que levou a morte do próprio filho. Segundo a delegada Luana Medeiros, que está à frente da investigação do caso, a mulher seria, ao menos, “conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado”. 

Apesar da prisão, a polícia apura se a mulher também não vinha sendo vítima de agressões cometidas pelo marido. Ainda de acordo com Luana, existem “fortes indícios de violência doméstica contra a mulher”. 

Relembre o caso

Um menino de apenas 3 anos morreu na tarde dessa quarta-feira (08) após permanecer internado em estado gravíssimo desde o último domingo (5), quando foi espancado dentro da casa onde vivia com a família, na cidade de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O principal suspeito do crime é o próprio pai da criança, que foi preso em flagrante no mesmo dia das agressões. Dias depois, ele teve a prisão convertida em preventiva na audiência de custódia. O homem, de 33 anos, é natural dos Estados Unidos e se diz um missionário religioso. 

Após ser preso, ele confessou as agressões. Aos policiais, o suspeito relatou ter desferido socos contra o tórax e o abdômen do filho, além de ter batido a cabeça dele contra o chão. Ainda segundo as investigações, o homem contou aos policiais que a motivação do crime seria a criança não ter dado “bom dia” a ele. O homem deve responder por homicídio duplamente qualificado. 

Segundo a delegada Luana Medeiros, a criança sofreu agressões de extrema violência. Os golpes foram tão intensos que provocaram o deslocamento do coração dentro da cavidade torácica e o achatamento do crânio da criança. O menino foi levado inicialmente ao Hospital de Viamão e, devido à gravidade dos ferimentos, transferido para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Histórico de agressões

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou indícios de que a violência contra a criança não era um episódio isolado. Os outros quatro filhos do homem, de 1, 5, 7 e 9 anos, apresentavam sinais de agressões e foram submetidos a perícias físicas e psicológicas. As crianças foram retiradas da guarda dos pais, acolhidas em abrigo e passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão. As investigações também revelaram que a família já havia sido alvo de registros policiais e atendimentos de conselhos tutelares em outros estados.

Registros passados mostram a ocorrência de agressões já no ano de 2024, na cidade de Águas de Lindóia, no estado de São Paulo. Na ocasião, a vítima da violência teria sido um dos outros filhos do homem, que, naquela época, estava com 07 anos de idade. Meses depois deles não terem sido localizados presencialmente para receber intimação, o processo acabou arquivado em agosto de 2025. 

Família vivia no Brasil há 9 anos

O homem suspeito de agredir e matar o filho é natural dos Estados Unidos e se apresentava como missionário evangélico, embora, até o momento, a polícia não tenha confirmado vínculo com nenhuma igreja. A esposa dele e mãe das crianças, por sua vez, é japonesa. 

O casal vivia no Brasil havia aproximadamente nove anos e passou por diferentes estados antes de se estabelecer em Viamão, há cerca de sete meses.Os cinco filhos do casal nasceram no Brasil e, conforme a Polícia Civil, não possuem outros familiares no país. Segundo a delegada Luana Medeiros, a família era pobre e vivia de doações e ajuda financeira de diversas pessoas da comunidade religiosa.

A autoridade policial disse ainda que as agressões faziam parte da rotina familiar. O casal teria dito a polícia que agia conforme a cultura e a religião deles indicava que deveria ser a correção e disciplina dos filhos, usando violências físicas e psicológicas como ferramentas de punição.

Por

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.