Autoridades palestinas denunciam que colonos incendiaram duas mesquitas na Cisjordânia
O conflito na Cisjordânia se intensificou desde o ataque do Hamas contra Israel, que desencadeou a guerra em Gaza em outubro de 2023

Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas no norte da Cisjordânia, disseram, neste domingo (26), autoridades palestinas de alto escalão no território ocupado, em meio à escalada da violência que deixou seis mortos na sexta-feira.
O conflito na Cisjordânia se intensificou desde o ataque do Hamas contra Israel, que desencadeou a guerra em Gaza em outubro de 2023. Desde então, ataques de colonos e operações militares israelenses em localidades palestinas tornaram-se quase diários.
O prefeito de Qusra, ao sul da cidade de Nablus, disse à AFP que colonos israelenses incendiaram uma mesquita em construção na localidade.
"O fogo destruiu a entrada da mesquita e danificou até mesmo a alvenaria", disse Abdel Azim Wadi. Segundo ele, os agressores picharam grafites nas paredes, incluindo a palavra "vingança" em hebraico.
O exército israelense informou que tropas foram enviadas aos arredores de Qusra após receberem a denúncia de um incêndio em uma mesquita.
"Os soldados procuraram suspeitos que haviam fugido antes de sua chegada e identificaram sinais de incêndio criminoso e pichações no local", afirmou.
Em um incidente separado, colonos israelenses incendiaram uma mesquita na vila de Kour, perto de Tulkarem, e picharam slogans racistas em seus muros, de acordo com o ministério palestino de Doações e Assuntos Religiosos.
Na sexta-feira, em Tel, perto de Nablus, quatro palestinos e dois israelenses morreram em confrontos após uma incursão de um grupo de colonos.
Após este ocorrido, Israel anunciou uma ampla operação "antiterrorista" no norte da Cisjordânia e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "a legalização de assentamentos" será acelerada na região.
O aumento da violência nos últimos anos tem acompanhado a multiplicação de colônias, enquanto parte da classe política israelense não esconde a vontade de anexar este território palestino, ocupado desde 1967.
Na noite deste domingo, o exército anunciou a detenção de mais de 130 pessoas na Cisjordânia durante o fim de semana.
Entre os detidos há "traficantes de armas, membros do Hamas (...), assim omo terroristas que preparavam atentados", destacou esta força armada.
Cerca de 500.000 israelenses vivem em colônias na Cisjordânia, consideradas ilegais segundo o direito internacional, junto com aproximadamente três milhões de palestinos.
Desde outubro de 2023, o Ministério da Saúde palestino contabilizou a morte de 1.094 combatentes ou civis palestinos pelas mãos de soldados ou colonos israelenses.
Segundo números oficiais israelenses, pelo menos 48 israelenses, civis e militares, morreram ali em ataques palestinos ou durante operações militares israelenses.
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