A capital da Indonésia, Jacarta, é a cidade que mais afunda no mundo, com 40% do seu território abaixo do nível do mar. Diante disso, o governo da Indonésia lançou um ambicioso projeto para construir uma nova capital, Nusantara, do zero em uma floresta em Calimantan Oriental, na ilha de Bornéu. O projeto foi anunciado em 2019 e iniciado em meados de 2022.
Nusantara está planejada para ser uma cidade verde e de alta tecnologia, com mais de 60% de sua área destinada a espaços verdes, equipados com trilhas para caminhadas e ciclovias. O projeto, que abrange aproximadamente 640 mil hectares, é quatro vezes maior que Jacarta e duas vezes maior que a cidade de Nova York.
Leia também:
Terremoto de magnitude 7.0 atinge a Rússia e faz vulcão entrar em erupção Professora vai doar fígado para aluno autista nos Estados Unidos
A proposta da construção é dividida em cinco fases e a nova capital deverá ter capacidade para abrigar 1,9 milhão de pessoas até 2045, sendo a maior parte funcionários públicos e suas famílias, com a previsão de um grupo de 10 mil funcionários públicos se mudarem em setembro deste ano.
Localizada a cerca de 12.000 km de Jacarta, no centro geográfico da Indonésia, a nova capital foi projetada para ajudar a redistribuir riqueza e recursos no vasto arquipélago, composto por 17.500 ilhas.
Polêmicas do projeto
A construção já enfrenta alguns desafios. A fase 1, inicialmente prevista para ser concluída em agosto, foi adiada para o final do ano. O custo total do projeto é estimado em US$ 33 bilhões, com o governo se comprometendo a pagar apenas um quinto desse valor. A projeção é que o restante seja obtido através de investidores privados, o que gera preocupações sobre a viabilidade econômica e a sustentabilidade do projeto.
A professora de design urbano na Monash University, Eka Permanasari, comentou sobre a expectativa: “É assustador quando você depende de 80% de investimento privado. Os investidores precisam ver viabilidade econômica e desenvolvimento contínuo. Você não pode parar no meio do caminho”, disse.
A localização de Nusantara, escolhida para evitar desastres naturais e redistribuir recursos, também traz preocupações sobre a degradação do meio ambiente e a redução do habitat de espécies ameaçadas, como orangotangos e macacos de nariz longo. Os receios também incluem o impacto da urbanização sobre as comunidades indígenas locais e sua identidade cultural.
Além disso, os primeiros moradores de Nusantara, cuja chegada está prevista para as próximas semanas, demonstram relutância em relação à infraestrutura. Em entrevista anônima à BBC, um dos funcionários mencionou a preocupação com os filhos: “A infraestrutura ainda não está pronta. Para qual escola vou mandar meu filho? Há atividades disponíveis para eles? E entretenimento?”, perguntou ele.