A polícia do Equador encontrou, neste domingo (11), cinco cabeças humanas penduradas e expostas ao lado de uma placa de advertência em uma praia turística no sudoeste do país, região assolada por uma onda de violência armada.
O episódio ocorreu na cidade de Puerto López, na província de Manabí, um destino turístico popular para o avistamento de baleias, onde morreram pelo menos nove pessoas, incluindo uma bebê, no último fim de semana de dezembro, em vários ataques armados que as autoridades atribuem a disputas entre gangues locais.
Na manhã deste domingo, investigadores da polícia realizaram “a verificação de cinco restos mortais (cabeças) encontrados pendurados” em uma orla próxima a um hotel, segundo um relatório policial ao qual a AFP teve acesso.
Imagens que circularam nas redes sociais mostram as cinco cabeças amarradas com cordas a dois postes de madeira, em frente ao mar e no meio da areia.
Também havia uma mensagem escrita sobre uma tábua de madeira: “O povoado é nosso. Continuem a assaltar os pescadores e a exigir comprovantes de vacinação, nós já os identificamos.”
No Equador, são chamadas de “vacinas” as taxas cobradas por grupos criminosos a comerciantes e moradores de áreas populares, em troca de uma suposta proteção.
As autoridades estão investigando o caso e ainda não chegaram aos responsáveis. Tampouco foram encontrados os corpos completos das vítimas.
O presidente de Equador, Daniel Noboa, defende a linha-dura contra o crime organizado, ao estilo de seu par salvadorenho Nayib Bukele, e declarou o país em conflito armado interno contra as organizações criminosas. Mas a violência não cessa.
Enfrentamentos armados e chacinas são habituais no país, que fechou 2025 com uma taxa de homicídios recorde, de 52 para cada 100.000 habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.
O Equador é considerado estratégico para a rede internacional do tráfico de drogas por sua localização, pois serve como porta de saída da cocaína produzida na Colômbia e no Peru e comercializada nos mercados ilegais de Europa e Estados Unidos.
Nos últimos anos, o país se transformou no corredor mais cobiçado do Pacífico.
Com informações de AFP