O presidente da Argentina, Javier Milei, foi recebido nesta segunda (12) pelo papa Francisco no Vaticano em uma tentativa de estreitar relações, apesar de suas ideologias opostas. O encontro acontece após insultos anteriores do então candidato de ultra-direita ao pontífice durante as eleições de 2023.
Milei presenteou o papa com alfajores de chocolate amargo, biscoitos de limão e um cartão-postal em homenagem à beata Maria Antonia de Paz y Figueroa, conhecida como Mama Antula, que foi canonizada pela igreja católica nesse domingo (11).
Por sua vez, o Papa Francisco deu a Milei um medalhão de bronze inspirado no baldaquino, uma estrutura na Basílica de São Pedro. No centro do medalhão estava a representação da pomba do Espírito Santo, simbolizando “unidade, força e inspiração”.
O encontro formal teve a duração de uma 1h10, no Palácio Apostólico do Vaticano.
Ontem (11) os dois tiveram o primeiro contato “amistoso” na missa de pontífice na missa de canonização de Mama Antula, na Basílica de São Pedro.
Encontro de opostos
O foco foi a reconciliação entre os líderes argentinos e não houve pronunciamento sobre a possível viagem do Papa à Argentina, como era previsto.
Durante sua carreira política, Javier Milei acusou o Papa Francisco de “tentar expandir o comunismo” e, mais recentemente, de “interferência política” durante sua campanha eleitoral.
As declarações ofensivas provocaram tensões entre Milei e o Papa, refletindo as diferenças ideológicas entre eles.
Enquanto Milei prega o ultra-liberalismo, o Papa Francisco defende o direito dos mais pobres e a preservação do meio ambiente.
No entanto, nos últimos meses, Milei mudou seu tom em relação a Francisco e lhe convidandou oficialmente para visitar a Argentina - onde não vai desde que foi eleito líder da igreja católica, em 2013. O convite era uma forma do governo tentar pacificar e superar a divisão interna existente no país.
Tensão
O encontro ocorreu em um momento de tensões políticas na Argentina, que vive uma grave crise econômica, com recorde de inflação e 40% da população vivendo na faixa da pobreza.
Desde a posse em 10 de dezembro de 2023, Milei vem tentando aprovar uma série de decretos que regulamentam a economia e revoga uma série de leis trabalhistas na Argentina.
As medidas causaram uma série de protestos em Buenos Aires e uma greve geral convocada por centrais sindicais. A aprovação do mega-decreto de Javier Milei segue em discussão na Suprema Corte e no Congresso Nacional.
Durante as conversas cordiais na Secretaria de Estado do Vaticano, detalhes sobre o programa do novo governo para enfrentar a crise econômica na Argentina foram discutidos com o Papa , que se preocupa com a vulnerabilidade dos mais pobres no país.
Com o descongelamento dos preços na Argentina, a moeda desvalorizou 50% e o valor dos produtos aumentaram.
O comunicado do Vaticano não fornece informações detalhadas sobre quais reformas específicas foram discutidas, mas destaca que o foco foi o programa econômico diante da crise enfrentada pelo país.
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