Autoridades investigam se a aeronave da Guarda Costeira do Japão teria recebido a liberação para se posicionar na pista antes da
Cinco pessoas morreram no turboélice da Guarda Costeira, que ia decolar para levar ajuda às zonas afetadas pelo terremoto que atingiu o Japão na segunda-feira (1º). Elas foram vitimadas pelo incêndio causado pela colisão.
Os tripulantes do Airbus A350 da Japan Airlines conseguiram evacuar rapidamente os 379 passageiros com tobogãs infláveis, antes do incêndio consumir a aeronave.
A emissora pública do Japão NHK disse ter descoberto discrepâncias entre os relatos do acidente fornecidos pelo controle de tráfego aéreo e o capitão do avião da Guarda Costeira, segundo o jornal britânico.
O controle de tráfego aéreo havia autorizado o avião da Japan Airlines a pousar na pista C em Haneda e disse ao avião menor para parar antes da mesma pista, segundo a NHK, citando uma fonte não identificada do Ministério dos Transportes. No entanto uma fonte da Guarda Costeira disse à emissora que seu piloto havia recebido autorização para decolar.
A Japan Airlines e o Ministério dos Transportes se recusaram a comentar diretamente as trocas de mensagens entre controladores de voo e os dois aviões, citando a investigação em curso.
O Ministério dos Transportes divulgou uma transcrição da comunicação do controle de tráfego aéreo cerca de 4 minutos e 27 segundos antes do acidente, que não mostrou uma aprovação clara para a decolagem do avião da Guarda Costeira.
De acordo com o texto, o controle de tráfego aéreo de Tóquio deu permissão ao Airbus A350 da Japan Airlines para pousar na Pista C. O piloto do avião da Guarda Costeira disse que estava taxiando para a mesma pista, e o controle de tráfego o instruindi a prosseguir até a linha de parada à frente da pista. O controlador observou que a Guarda Costeira tem prioridade de partida, e o piloto disse que estava se movendo para a linha de parada. Sua comunicação termina aí. Dois minutos depois, houve uma pausa de três segundos, indicando aparentemente o momento da colisão.
Investigação
A polícia iniciou uma investigação separada sobre possível negligência profissional e disse que os investigadores examinaram os destroços na pista e estavam conduzindo entrevistas. Nesta quarta-feira (3) seis especialistas da Junta de Segurança no Transporte do Japão examinaram o que restava das aeronaves.
As imagens de TV mostraram as asas gravemente danificadas do avião de passageiros (A350) entre as partes queimadas e quebradas da fuselagem. O avião da Guarda Costeira se assemelhava a um monte de destroços. Os investigadores planejam entrevistar os pilotos, funcionários e também os controladores de tráfego aéreo para descobrir como as duas aeronaves acabaram simultaneamente na pista, disse a junta. Os dois lados tinham compreensões diferentes sobre a permissão para usar a pista.
Tadayuki Tsutsumi, executivo gerente da Japan Airlines, disse em uma entrevista coletiva na terça-feira (2) que o A350 estava fazendo uma “entrada e pouso normais” na pista. Outro executivo, Noriyuki Aoki, disse que o voo havia recebido permissão para pousar.
Os funcionários de controle de tráfego aéreo deram permissão ao avião da Japan Airlines para pousar enquanto diziam ao piloto da Guarda Costeira para esperar antes de entrar na pista, mostrou a transcrição do Ministério dos Transportes. Mas, de acordo com um relatório da televisão NHK, o piloto da Guarda Costeira disse que recebeu permissão para decolar. A Guarda Costeira disse que está verificando essa alegação.
*Com informações do Estadão Conteúdo e da AFP