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O que se sabe sobre a explosão de dois aviões em aeroporto no Japão?

Japan Airlines e Guardo Costeira afirmam que receberam autorização para usar a pista antes do acidente

Avião da Japan Airlines em chamas após colisão no aeroporto Haneda, em Tóquio, no Japão

Investigadores japoneses tentam identificar as causas da colisão de dois aviões na pista do aeroporto de Haneda, em Tóquio, depois que a companhia aérea Japan Airlines afirmou que a aeronave foi autorizada a pousar pela torre de controle.

O acidente, nessa terça-feira (3), causou cinco mortos no turboélice da Guarda Costeira, que ia decolar para levar ajuda às zonas afetadas pelo terremoto que atingiu o Japão na segunda-feira (1).

As vítimas foram mortas devido ao incêndio causado pela colisão. O avião estava cheio de combustível e influenciou a explosão. Somente o piloto da Guarda Costeira sobreviveu, mas está gravemente ferido.

O Airbus A350 da Japan Airlines conseguiu evacuar rapidamente os 379 passageiros com tobogãs infláveis, antes do incêndio consumir a aeronave.

Ninguém morreu a bordo do voo comercial. Ao todo, 17 pessoas ficaram feridas após o acidente.

Dezenas de caminhões de bombeiros tentaram conter o incêndio, que demorou oito horas para ser controlado.

Os destroços carbonizados do avião da Guarda Costeira (um Dash 8 canadense) permaneciam na pista do aeroporto de Haneda, nesta quarta-feira (03).

Paciência

O passageiro voo 516 da Japan Airlines, Satoshi Yamake, disse à CNN que tudo parecia normal durante o pouso até que viu um incêndio.

“Aterrissamos normalmente, não sentimos choque nem nada”, disse Yamake, de 59 anos, no aeroporto de Haneda.

Ele disse que viu o incêndio momentos antes do anúncio para evacuar o avião.

“Sentimos um pouco de fumaça, mas os passageiros não entraram em pânico”, acrescentou Yamak.

“Eu não estava realmente com medo. Como já pousamos, pensei que o avião provavelmente não explodiria a essa altura. Nós ficaríamos bem, desde que todos saíssem do avião de maneira ordenada”, concluiu.

Segurança

As companhia aéreas devem ter a capacidade de evacuar todos os passageiros e tripulantes de um avião em 90 segundos.

A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) obriga os fabricantes a projetarem aviões que possibilitem a retirada de pessoas dentro desse prazo, e os tripulantes são treinados para cumprir o protocolo.

Doug Drury, especialista da Universidade Central Queensland, da Austrália, disse à AFP que o procedimento da Japan Airlines foi realizado de forma “impecável”.

“Um fator-chave é que ninguém tentou levar a bagagem de mão. Já houve vários acidentes mortais no passado, porque pessoas pegaram suas bagagens na cabine” e atrasaram a evacuação, destacou o especialista.

O sucesso da evacuação é atribuído à rigorosa cultura de segurança da Japan Airlines.

Acidentes aéreos são extremamente raros no Japão. O mais grave ocorreu em 1985, quando um avião da Japan Airlines caiu entre Tóquio e Osaka, matando 520 pessoas.

A companhia aérea foi profundamente influenciada pelo acidente (voo 123) e fez melhorias significativas nos protocolos de segurança da empresa, que hoje é classificada como uma das mais seguras do mundo.

Permissão para pousar

Um diretor da Japan Airlines indicou que o voo JAL516 recebeu permissão para aterrissar antes da colisão.

Uma gravação da torre de controle - consultada no portal LiveATC.net, que transmite ao vivo as orientações - parece apoiar esta versão.

“Japan 516, continue a aproximação”, disse um controlador quatro minutos antes do acidente.

A emissora japonesa NHK informou que a torre de controle pediu ao avião da Guarda Costeira esperar a decolagem fora da pista.

Um funcionário da Guarda Costeira disse, no entanto, que o piloto sobrevivente também recebeu permissão para decolar na pista.

Japan Airlines, a Guarda Costeira e o Ministério dos Transportes japonês ainda não se pronunciaram, já que há uma investigação em curso.

A Airbus, fabricante do avião da JAL, anunciou que vai enviar uma equipe de especialistas para ajudar nos interrogatórios envolvendo o caso.

A Junta de Segurança de Transporte do Japão (JTSB) disse que foram encontrados a gravação do avião da Guarda Costeira, mas que os registros do voo da Japan Airlines ainda estão sendo procurados.

*Com informações da CNN e AFP

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.