Um estudo recente da Fundação Tide Setubal, realizado em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e a Iniciativa Saneamento Inclusivo, revelou que mais de um milhão de brasileiros viviam sem banheiro ou sanitário em casa em 2021. A pesquisa também mostra que apenas 64,1% da população urbana tinha acesso à coleta de esgoto na época.
A ausência de esgotamento sanitário se concentra principalmente em favelas, loteamentos irregulares e assentamentos urbanos precários. Sem coleta e tratamento adequados, o esgoto é lançado em córregos, rios e no solo, gerando contaminação e agravando a vulnerabilidade dos ambientes.
Segundo Tomaz Gregori Kipnis, fundador da Iniciativa Saneamento Inclusivo e coordenador técnico do estudo, “existe também uma dimensão de injustiça ambiental. São territórios que historicamente receberam menos investimento e que hoje estão mais expostos aos impactos da crise climática. A ausência de saneamento aprofunda essa desigualdade”.
O especialista defende que, para solucionar o problema, é necessário considerar as necessidades específicas de cada local. “A universalização deve ser buscada para todos os contextos, mas os esforços deveriam ser distribuídos de forma proporcional à vulnerabilidade”, afirma.
Para atender essas demandas, o estudo lista uma série de medidas que devem ser adotadas:
- Fortalecer a gestão municipal;
- Garantir equidade social;
- Oferecer apoio técnico;
- Ampliar a participação comunitária.