Cientista é um substantivo unissex, mas, durante anos, despertava a imagem de homens que fizeram história nas diversas áreas, tornando as mulheres exceções ou nomes desconhecidos do grande público. Para mostrar que os laboratórios também precisam da inteligência e expertise feminina, diversos projetos tentam quebrar tabus.
Um deles é o ‘Rede Meninas na Nanociência’ que conta com o núcleo “Manacá da Serra” na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O grupo, formado por mulheres de diferentes etnias, raças, origens e especialidades, visita escolas para desmistificar tudo o que se ouviu dizer e, assim, despertar o interesse para que, futuramente, as estudantes invistam na formação acadêmica.
Atualmente, 1.084 dos 3.691 estudantes ativos nos cursos da graduação presencial na área de Engenharia e de Ciências Exatas e da Terra da UFJF se declaram do sexo feminino. Conforme o Observatório de Dados da instituição, número representa 29,3%.
A professora Nilseia Aparecida Barbosa, do Departamento de Física e integrante do projeto “
“Elas começam a perceber que a cientista não nasceu pronta, que a cientista é construída todos os dias. As histórias reais contadas em 2 minutos têm mais impacto que uma hora de palestra sobre mecânica quântica por exemplo. Porque quebram aquele arquétipo distante da cientista. E aí que elas começam a se reconhecer em nós e isso é muito grandioso. A gente percebe nos olhares e a curiosidade começa a surgir e a gente percebe que a mudança está acontecendo. E aí junta a autoconfiança que começa a surgir e a conversa deixa de ser sobre barreiras e passa a ser sobre caminhos.”
Segundo a professora, além dos experimentos e relatos de pesquisa, as palestrantes compartilham a rotina de alguém que se dedica à área dentro e fora dos laboratórios e ambientes de pesquisa. Ela destaca que mostrar para as garotas a verdade por trás da ideia abstrata sobre atuar na área científica traz resultados animadores.
“Quando as meninas percebem que elas podem trabalhar com ciências e também impactar a sociedade ao mesmo tempo, a gente percebe que algo se expande nelas. É representatividade. Não é discurso, é pratica”.
Ouça a entrevista com a Nilseia Aparecida Barbosa, do Departamento de Física