Janeiro Branco: médico fala a importância dos exames para tratamentos de saúde mental

Procedimentos ajudam a avaliar eficácia de medicamentos e identificar doenças com sintomas semelhantes.

A campanha Janeiro Branco é voltada para discutir os cuidados com a saúde mental e os tabus voltados ao diagnóstico adequado. Os exames clínicos laboratoriais não fazem este tipo de detecção, mas contribuem para eliminar diagnósticos de doenças com sintomas semelhantes.

Além disso, são aliados no acompanhamento das medicações prescritas pelos médicos, para avaliar se estão alcançando os resultados esperados.

Em entrevista à Itatiaia, Ricardo Villela Bastos, médico e diretor do Laboratório Côrtes Villela falou sobre a importância de ter o atendimento adequado e fazer os exames corretamente. E lembrou que o foco do Janeiro Branco não é remédio, mas entender a necessidade de buscar o atendimento adequado.

“É muito mais uma conscientização de prevenção. As pessoas estão ficando hoje muito isoladas, você não olha para o próximo, você só olha para você. Então, isso está levando as pessoas a ter uma carência muito grande de afeto, de tudo. Então, o Janeiro Branco é mais uma orientação, um caminho que segue para chamar atenção dentro das empresas, ou do lado doméstico, ou das relações de amizade e tal, para você ter um olhar para o próximo, para você poder prevenir”.

Diagnóstico médico

O primeiro ponto que Ricardo Villela Bastos reforça é que laboratório não faz o diagnóstico de doença psiquiátrica, isso compete ao médico.

“O importante é sempre ter um acompanhamento médico adequado e manter os exames em dia. Ter um clínico, que pode ser do um posto de saúde regional, ou do bairro, ou pode ser um médico particular. Você tem que seguir a orientação de um médico, que vai saber do que você precisa, ele vai te orientar como é que você vai conduzir a sua vida de maneira geral”.

A partir do diagnóstico feito pelo especialista, o laboratório se torna um aliado no tratamento, como destaca Ricardo Villela Bastos. Uma das etapas é descartar outras doenças que podem ter sintomas semelhantes

“Doenças metabólicas que podem ter componentes psiquiátricas, sintomas que vão simular sintomas de doenças psiquiátricas. Por exemplo, o hipotireoidismo, o hipertireoidismo, o déficit de vitamina B12, em casos extremos, o déficit de vitamina D bastante avançado. Um paciente que faz uso de drogas psicoativas, o exame toxicológico vai detectar e você vê que os sintomas que o paciente está apresentando, às vezes, não é pela doença psiquiátrica. Doenças inflamatórias podem ter componentes de doença psiquiátrica, então o laboratório vai ajudar no diagnóstico”.

O médico e diretor do Laboratório Côrtes Villela ressaltou que, no caso de diagnóstico de saúde mental, os exames laboratoriais e até genéticos ajudam na avaliação do metabolismo e impacto na medicação no organismo do paciente

“O que o laboratório ajuda também é no apoio ao acompanhamento do paciente psiquiátrico. Essa medicação pode ter efeito, porque ela é metabolizada no fígado e excretada no rim, a maioria delas. E pode ser efeito tóxico. Você vai regular o uso dessa medicação. Não quer dizer que a droga faz efeito ou não, nem indica se a droga é boa ou ruim. Ela só vai dizer se o metabolismo dela ou a inscrição dela era em velocidades normais, velocidade acelerada ou retardada. Então, todos esses exames vão auxiliar no acompanhamento dessas doenças”.

Nenhuma comprovação genética

Ricardo Villela Bastos, médico e diretor do Laboratório Côrtes Villela, explicou ainda que testes genéticos não indicam doenças de saúde mental, porque outros fatores precisam ser considerados. E mesmo dentro de uma família onde haja casos psiquiátricos, não significam que parentes diretos terão.

“Existem outros componentes ambientais, sociais, que são componentes que vão interferir no diagnóstico e vão interferir na evolução da doença. Então, não existe um teste também, ele pode prever o risco”.

Em outros casos como estresse, falta de cansaço, alterações de humor, o exame de sangue vai detectar situações clínicas que podem desencadear esses sintomas.

“Se uma pessoa tem uma anemia grave de etiologia variada, pode ficar apática, pode querer ficar mais tranquila, não querer se alimentar direito, não ter atividade. Se você ver que o paciente tem uma atividade inflamatória grande, você vai pesquisar. Porque algumas doenças psiquiátricas têm componentes inflamatórios, mas não é o mais comum”.

Ricardo Villela Bastos reitera que os exames e o diagnóstico dependem do contexto em que o paciente está inserido, incluindo automedicação

“A pessoa toma por conta própria e depois acha que pode ter algum problema. Isso já é um sintoma da modernidade, dessa desregulamentação que existe em todas as áreas. Porque vê esses anúncios no rádio, na televisão e na mídia e acha que aquilo vai resolver o problema dela. Vê uma pessoa bonita, com o cabelo liso, correndo, fazendo propaganda de determinados produtos. Ela compra e continua vendo que o cabelo dela continua a mesma coisa. E acaba levando a distúrbios psiquiátricos que, às vezes, começam com ansiedade leve e que se propagam.Por essas situações que existem hoje e que você, às vezes, acha que não está se encaixando bem naquele privilégio”.

Assista à íntegra a entrevista de Ricardo Villela Bastos no Itatiaia Ponto Com

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Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.

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