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Rota do Tropeiro: clássico mineiro ganha releituras inusitadas em BH; conheça

Quarto episódio da série especial da Itatiaia e do Oncêvai mostra como o feijão tropeiro preserva tradições e inspira novas criações na gastronomia da capital

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À esquerda, prato tradicional de tropeiro e à direita, a releitura do prato • Luiza Rocha | Itatiaia

O feijão tropeiro atravessou séculos sem perder sua essência. Ao mesmo tempo, ganhou novas versões e passou a inspirar receitas criativas em bares e restaurantes de Belo Horizonte. Entre preparos que seguem tradições familiares e releituras que transformam o prato em petisco, a receita continua a conquistar espaço nas mesas dos mineiros.

No quarto episódio da série especial "Rota do Tropeiro - Feijão, Farinha e História", produzida pela Itatiaia em parceria com o Oncêvai, a reportagem visitou dois estabelecimentos da capital para mostrar que o feijão tropeiro pode honrar as origens e, ao mesmo tempo, ganhar novas versões.

Tradição construída ao longo de décadas

Fundado em 1964, o Bar do Antônio Pé de Cana, no bairro Sion, é um dos locais onde o feijão tropeiro se tornou marca registrada. A história do estabelecimento começou quando Seu Antônio deixou o Maranhão e se mudou para Belo Horizonte em busca de novas oportunidades.

Segundo Roberto Márcio, sócio da casa desde 1990, a tradição construída ao longo das décadas passa pela escolha criteriosa dos ingredientes e pelo cuidado no preparo.

"O feijão vem de um produtor de Barbacena. Nós optamos pelo feijão vermelho por ser diferente e se tornar a nossa marca registrada. A linguiça é produzida pela gente mesmo e a couve também chega fresca várias vezes por semana", explica.

Roberto Márcio com o tradicional prato de tropeiro servido no Bar do Antônio Pé de Cana • Luiza Rocha | Itatiaia
Roberto Márcio com o tradicional prato de tropeiro servido no Bar do Antônio Pé de Cana • Luiza Rocha | Itatiaia

Ao longo dos anos, o estabelecimento consolidou o nome na cena gastronômica da cidade, especialmente após a participação no concurso Comida di Buteco.

Para ele, o segredo não está apenas nos insumos utilizados, mas também no trabalho diário da equipe.

O preparo tem o carinho das meninas lá dentro da cozinha. A gente ajuda e acompanha tudo para sair esse feijão maravilhoso.

Roberto Márcio, sócio do Bar do Antônio Pé de Cana

Quando o tropeiro vira petisco

Se de um lado a tradição permanece viva, do outro o prato também abre espaço para a criatividade. No Ali Ba Bar, no bairro Santo Agostinho, o feijão tropeiro serviu de inspiração para uma releitura que se tornou um dos maiores sucessos da casa.

A ideia surgiu em 2013, durante a preparação para uma edição do Comida di Buteco. Naquele ano, os participantes precisavam criar pratos que pudessem ser consumidos sem talheres.

"Queríamos fazer alguma coisa com o tropeiro, porque era um prato que já saía muito aqui. Mas havia um desafio: tinha que ser servido para comer com a mão ou no palito", relembra o proprietário José Venesclau.

Depois de vários testes, surgiu a solução: "Pegamos o tropeiro, fritamos e começamos a testar um bolinho. Colocamos um pouco de polvilho para dar liga e recheamos com linguiça e couve. Assim nasceu o bolinho de tropeiro", conta.

O feijão tropeiro como bolinho representa a releitura do prato mineiro apresentado por José Venesclau, proprietário do Ali Ba Bar. • Luiza Rocha | Itatiaia
O feijão tropeiro como bolinho representa a releitura do prato mineiro apresentado por José Venesclau, proprietário do Ali Ba Bar. • Luiza Rocha | Itatiaia

A criação foi tão bem recebida pelos clientes que ultrapassou o período do concurso e permaneceu no cardápio.  

"Esse foi o único prato que entrou em 2013 e nunca saiu do cardápio. Ele vende todos os dias", destaca.

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Série especial 

A série especial "Rota do Tropeiro - Feijão, Farinha e História" mostra como o prato está presente em diferentes manifestações culturais e gastronômicas do estado. A reportagem foi em busca de histórias, personagens e tradições que ajudam a explicar por que o feijão tropeiro se tornou um dos maiores símbolos de Minas Gerais.

Os conteúdos serão publicados no site e nas redes sociais da Itatiaia e do Oncêvai.

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Ana Luiza Pereira é jornalista formada pela PUC Minas. Repórter multimídia na Itatiaia, possui experiência em rádio, televisão, portal e redes sociais. Atua na produção de conteúdo para as plataformas digitais e colabora com as editorias de Entretenimento e Esporte. Acumula passagens anteriores pela TV Horizonte, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.

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Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, é repórter da Itatiaia desde abril de 2023, na equipe de redes sociais. Já passou pela redação do jornal Estado de Minas e assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem experiência principalmente em vídeos, podcasts e reportagens multimídia.

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Somos Bernardo e Renata, o primeiro casal a ter uma coluna de rádio sobre gastronomia no Brasil. Apaixonados por boa comida, viagens, histórias e rolês, criamos em 2016 o Oncêvai, perfil para compilar nossas vivências na capital mineira e outros lugares que visitamos. Aqui falamos de eventos gratuitos em BH e promovemos a nossa forte cultura gastronômica.