Treinar por obrigação pode diminuir a motivação para continuar?
Professor da UFMG explica que não é preciso amar treinar, mas que encontrar um significado pessoal na atividade é um modo de aumentar as chances de continuidade

A prática de exercícios físicos vem se tornando, cada vez mais, um elemento essencial e constante na rotina. Enquanto muitos frequentam a academia com animação, outros se exercitam a contragosto, o que gera a dúvida: treinar por obrigação pode diminuir a motivação para continuar? Segundo o professor Franco Noce, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a resposta é que sim, a falta de ânimo pode ser um efeito colateral, mas não significa que não é possível continuar.
O profissional reflete que a Teoria da Autodeterminação distingue formas mais controladas de motivação (como pressão, culpa ou obrigação) das mais autônomas, em que a pessoa percebe escolha, significado ou prazer.
Há indícios científicos de que motivação intrínseca, regulação identificada e percepção de competência estão positivamente relacionadas à atividade física.
Isso não significa, entretanto, que é preciso amar cada treino. Uma pessoa pode não gostar de corrida, mas opta pela prática porque valoriza saúde, bem-estar ou desempenho.
Franco Noce explica que nem todo treino é prazeroso, mas que quando a pessoa encontra um significado pessoal para uma atividade, a chance de mantê-la aumenta.
Existe uma diferença entre ‘eu tenho que fazer isso porque estão me obrigando’ e ‘eu escolho fazer isso porque é importante para mim’. Nem todo treino precisa ser prazeroso. Mas quando a pessoa encontra um significado pessoal para aquela atividade, a chance de mantê-la tende a aumentar.
Quem é Franco Noce?
Franco Noce é professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutor em Psicobiologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e mestre em Ciências do Esporte pela UFMG. Graduado em Educação Física e Psicologia, coordena a Psicologia do Esporte do Centro de Treinamento Esportivo da universidade e atua na preparação psicológica de atletas de alto rendimento. Também possui experiência com seleções nacionais e equipes esportivas, além de ter ocupado cargos na Sociedade Internacional de Psicologia do Esporte (ISSP) e na Associação Brasileira de Estudos em Psicologia do Esporte e do Exercício (ABEPEEx).
Jornalista em formação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonada por esportes (principalmente futebol e vôlei) e cultura. Passagem pela equipe de comunicação da UFMG.



