A Corrida Internacional de São Silvestre completa 100 edições nesta quarta-feira (31) com números que colocam a prova diante do maior capítulo de sua história. Ao todo, 55 mil atletas vão às ruas de São Paulo para a tradicional corrida de 15 quilômetros, que terá a maior premiação já distribuída pelo evento e presença massiva de corredores estrangeiros.
A edição centenária reúne atletas de 1.942 cidades brasileiras e de cerca de 39 países, incluindo aproximadamente 4.600 competidores do exterior. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos inscritos, com mais de 30 mil participantes, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
As principais categorias da prova, as elites feminina e masculina, terão largadas separadas. As mulheres iniciam a corrida às 7h40, enquanto os homens largam às 8h05, ambos no horário de Brasília. Os demais competidores sairão em ondas, entre 8h10 e 9h15.
A premiação total chega a R$ 295.160, a maior já registrada na história da São Silvestre. Os seis primeiros colocados nas provas masculina e feminina receberão valores em dinheiro, com R$ 62.600 destinados a cada campeão.
Participação feminina cresce
Entre os inscritos, 52,98% são homens e 47,02% mulheres, percentual que representa um avanço significativo em relação aos últimos anos. A diversidade etária também chama atenção: cerca de 5.500 atletas têm mais de 60 anos, e o competidor mais velho confirmado para a prova tem 95 anos.
O alcance nacional da corrida também aumentou. O número de cidades representadas cresceu em relação à edição anterior, com participantes de todas as regiões do país no percurso paulistano.
Brasileiros buscam quebrar hegemonia africana
O pelotão de elite contará com mais de 100 atletas de seis países. Entre os brasileiros, os destaques são Núbia de Oliveira e Johnatas de Oliveira, que em 2024 foram os melhores do país na prova, com terceiro lugar no feminino e quarto no masculino.
Outra presença relevante é a do triatleta olímpico Miguel Hidalgo, décimo colocado nos Jogos de Paris 2024 e vice-campeão mundial em 2025.
Entre os estrangeiros, chamam atenção o tanzaniano Joseph Panga, nono colocado na Maratona de Berlim em 2025, e o queniano Wilson Maina, campeão da Volta Internacional da Pampulha deste ano. No feminino, os principais nomes são a queniana Cynthia Chemweno, vice-campeã da São Silvestre em 2024, e a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, top 8 no Mundial de Cross Country.
Desde 2007, na prova feminina, e desde 2011, na masculina, atletas africanos dominam o topo do pódio. Os últimos brasileiros campeões foram Lucélia Peres, em 2006, e Marílson Gomes dos Santos, que conquistou o tricampeonato em 2010.
Tradição centenária e nomes históricos
Criada em 1925, a São Silvestre teve como primeiro vencedor Alfredo Gomes. A participação de corredores estrangeiros começou em 1945, período a partir do qual o domínio africano se consolidou.
Entre os maiores vencedores estão o queniano Paul Tergat, campeão em cinco edições, e a portuguesa Rosa Mota, hexacampeã consecutiva entre 1981 e 1986, recordista absoluta da prova entre homens e mulheres.
Ao longo do tempo, o percurso e os horários da corrida passaram por mudanças. A distância atual de 15 quilômetros foi adotada após variações que chegaram a 5,5 km e 12,64 km. Até 1988, a prova era disputada à noite; desde 2011, passou a ser realizada pela manhã.