Rafael Menin revela por que Atlético não tentou Recuperação Judicial
Gestor da SAF do Atlético concedeu entrevista coletiva neste sábado (7) e afirmou que atitude deveria ser valorizada pelo torcedor

Durante três horas de entrevista na Arena MRV, concedida neste sábado (7), o empresário Rafael Menin respondeu várias perguntas feitas por jornalistas. Uma delas, sobre por que o Atlético não optou pelo regime de Recuperação Judicial como estratégia para zerar a dívida que, atualmente, ultrapassa R$ 1,3 bilhão.
Ele prosseguiu falando sobre o dinheiro colocado no clube e aproveitou para entrar no assunto "Recuperação Judicial (RJ)". Para o empresário, algo que soa como "cano" no mercado.
"Além dos R$ 300 milhões que colocamos, faltava outros R$ 700 milhões, que vieram de empréstimos bancários. Imagina o Atlético lá em 2021 pedindo R$ 100 milhões ao BTG, por exemplo, sendo o Atlético a garantia; a possibilidade de acontecer era zero. A única probabilidade era a gente, como pessoa física, assinar documento colocando a família Menin assumindo a dívida. Agora, pergunto: alguma família fez isso na história do futebol brasileiro? Não. Nós assumimos o problema", disse.
"Como você faz uma RJ, pegando todos os bancos que o Atlético deve e não pagar ninguém? Obviamente seria decretada a falência do clube. A família teria que honrar com os R$ 700 milhões, além dos R$ 300 milhões emprestados sem juros e que depois virou capital social. Não é uma relação muito justa e correta. Quem foi lá e teve a coragem de fazer esta doideira, que ninguém nunca fez na história do Brasil. Se somar aporte e aval, dá mais de R$ 1 bilhão. Realmente não dava para fazer RJ", acrescentou.
Honradores de compromisso
Para finalizar, Rafael desabafou sobre críticas recebidas e destacou que, para ele, a cúpula deveria ganhar aplausos pela opção feita. Segundo o empresário, "colocar a cabeça no travesseiro de forma tranquila" é o que vale.
"Agora, RJ é uma coisa bonita? Não. Atrasamos um pouco a dívida com A, B ou C, e vamos pagar, como outros 300 credores do passado que pagamos. A torcida deveria achar mais bacana gestores que assumiram um passivo de todo tamanho, do que pagar RJ, pagar 20% da dívida e dar cano nos 80%. Nunca fiz isso nos meus negócios, assim como meu pai ou o Sérgio (Coelho). Colocamos a cabeça mais tranquila no travesseiro por não ter dado R$ 1 bilhão de cano nos outros", pontuou.
Tem gente que é legal e correto, mas a gente não: achamos feio. A despeito de alguns pagamentos que hoje temos em aberto, e antes não tínhamos, vamos honrar. Somos honradores de compromisso, e honramos compromissos de outros que não honraram ao longo dos anos. A gente assume a nossa bronca e assumimos a dos outros. Deveria ser motivo de aplausos e não de críticas", finalizou.
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Henrique André é repórter multimídia e setorista do Atlético na Itatiaia. Acumula passagens por Uol Esporte, Jornal Hoje em Dia e outros veículos. Participou da cobertura de grandes eventos, como Copas do Mundo (2014-18), Olimpíada (2016-2021) e Mundial de Clubes (2025).



