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Willian Batista se emociona após classificação à final: ‘O América me escolheu’

Treinador concedeu entrevista pós-jogo e falou sobre a preparação da equipe e como trabalhou o psicológico antes das cobranças de pênalti

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Willian Batista se emocionou durante a coletiva • Reprodução / Youtube / Itatiaia

O América se classificou para a final do Campeonato Mineiro após uma vitória emocionante contra o Cruzeiro, na noite deste sábado (22), na Arena Independência, em partida valida pela volta da semifinal da competição. A partida foi decidida nos pênaltis após o empate em 1 a 1 no tempo normal.

Durante a coletiva pós-jogo, a emoção tomou conta do treinador Willian Batista. Em uma conversa sincera, o comandante falou sobre a preparação da equipe, os momentos de tensão e as histórias de superação que marcaram a trajetória do clube.

Preparação para os pênaltis

Willian Batista compartilhou um momento importante sobre a preparação do time para os pênaltis. Ele explicou que, desde o início da pré-temporada, a filosofia da equipe tem sido sempre focar no próximo lance, no próximo minuto de jogo, independentemente do que já aconteceu.

“Nossos jogadores, de modo geral, têm que se apegar ao instante seguinte. Para nós, desde o dia 27 de dezembro, o próximo lance é o mais importante. O nosso time foi construído em cima disso: do minuto seguinte, do lance seguinte. A ação concreta é o mais importante. Focamos no pênalti e depois no que viria nos próximos cinco minutos”, comentou o treinador.

O treinador também ressaltou a importância do trabalho em equipe, mencionando uma frase dita por Ricardo Silva antes das cobranças: “Seja forte e corajoso”, e acrescentou: “Nossa equipe foi isso hoje. Forte, corajosa e com a capacidade de pensar no minuto seguinte”, concluiu.

B

O técnico aproveitou a coletiva para destacar o talento de Martin Benítez, que teve grande destaque na partida. Willian Batista revelou que um dos segredos do jogo de Benítez é sua capacidade de atuar em distâncias curtas com seus companheiros.

“O Benítez tem uma capacidade enorme de jogar em pequenas distâncias, de atuar a 5 ou 6 metros dos companheiros. O que eu posso fazer para me adaptar ao que ele pode oferecer é garantir que as distâncias estejam sempre curtas. Se o Benítez precisar pressionar a 5 ou 6 metros, ele é imbatível. Ele é fundamental para a nossa equipe”, completou o técnico.

Emocionado

Além da vitória em campo, a coletiva também foi marcada por um momento de grande emoção envolvendo o técnico do América, que compartilhou uma história de superação e como chegou ao clube.

“Em 2017, depois de trabalhar no Atibaia em 2016, fiquei um ano desempregado. Meus pais não tinham dinheiro para pagar minha faculdade, então, eu dirigi por 6 ou 7 meses na Uber. Em um desses dias, fui buscar uns jovens na balada, e eles derrubaram bebida alcoólica no carro. Fui para casa, acordei meus pais e chorei, dizendo a eles que não era isso que eu queria para a minha vida”, contou Willian, com a voz embargada.

“Três meses depois, um amigo me indicou para a Chapecoense, e fiquei um ano lá. Depois fui demitido e fiz um processo seletivo no América para ser auxiliar no sub-20. Eu já tinha sido reprovado em duas entrevistas, e a terceira foi no América. Coloquei a camisa por cima do pijama, porque a entrevista foi via Skype, e falei que ia dizer tudo o que eu sentia. Disse que iria desfrutar do América e faria o máximo para que acontecesse. E hoje estou aqui. O América me escolheu, e sou muito grato”, completou, com lágrimas nos olhos.

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André Stehling escreve em colaboração com o portal Itatiaia Esporte