Sport faz apelo à governadora após ofício da PM sobre jogo contra o Ceará
Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) recomendou que o duelo, válido pela Copa do Nordeste, aconteça de portões fechados

O Sport apelou à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), para tentar reverter a recomendação da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) sobre o jogo contra o Ceará. Em ofício, a corporação afirmou, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que é incapaz de garantir a "absoluta segurança" no confronto válido pelas quartas de final da Copa do Nordeste.
"O Sport aguarda e confia na reversão da governadora Raquel Lyra, tão imbuída em liderar o Governo de Pernambuco nas suas mais diferentes esferas, acerca deste posicionamento da corporação", diz nota divulgada pelo clube nesta quarta-feira (3).
Vale lembrar que, por ter feito melhor campanha na 1ª fase do certame regional, o Leão da Ilha tem o direito de jogar como mandante na fase eliminatória.
"O Clube compreende que os órgãos responsáveis por garantir a segurança de eventos como os carnavais de Recife e Olinda, que levam milhões de pessoas durante os dias de folia, também estão aptos a resguardar um público de 30 ou 40 mil pessoas em uma partida de futebol – conforme já ocorreu em diversas oportunidades recentes e mais longínquas, como a Copa do Mundo de 2014", diz o clube.
Ofício da PM
O documento da Polícia Militar de Pernambuco está assinado pelo Comandante Geral da PMPE, Ivanildo César Torres de Medeiros.
No texto, ele ressalta que “a situação política dos clubes, a caracterização das torcidas organizadas mandantes e visitantes, o histórico de ocorrências, a deficiência dos sistemas de controle interno dos estádios, a mobilidade e o fluxo de pessoas” são fatores que impossibilitam à corporação garantir a “absoluta segurança”.
A PM pontua, também, que tem empregado, nos jogos em Pernambuco, um efetivo médio de 625 policiais militares, “sendo que em alguns já se chegou ao efetivo de mil policiais”.
Entenda o caso
Nesta terça-feira (2), o departamento jurídico da Federação Cearense de Futebol (FCF) acionou o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) solicitando que a partida entre Sport e Ceará não seja disputada no estado de Pernambuco.
A diretoria de competições da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ainda vai marcar a data exata, mas o jogo está programado para a próxima semana na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE).
Há preocupação com a segurança do encontro que será a reedição da final de 2023, vencida pelo Ceará. Será o primeiro jogo de um clube cearense contra o Sport, no Recife, depois que o ônibus que levava a delegação do Fortaleza da Arena de Pernambuco ao hotel foi atacado por torcedores de uma organizada do clube pernambucano, em 22 de fevereiro, após 1 a 1 pelo Nordestão. Seis jogadores ficaram feridos.
A FCF alega, no documento enviado, que “não existirem garantias de segurança à incolumidade física e psíquica dos partícipes do espetáculo”. A federação também pede que o efeito suspensivo que liberou a torcida do Sport a frequentar os estádios seja revogado.
Os dois locais sugeridos para a realização do jogo foram João Pessoa, capital da Paraíba, e Natal, capital do Rio Grande do Norte. A Itatiaia apurou que a chance de o confronto não ser em Pernambuco é remotíssima.
No jogo de ida da final da Copa do Nordeste de 2023, na Arena Castelão, na capital cearense, torcedores de Ceará e Sport arremessaram cadeiras uns nos outros depois do confronto, que terminou 2 a 1 para o Vozão.
Veja a nota completa do Sport
“O Sport Club do Recife recebeu com surpresa a recomendação da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) para que o duelo diante do Ceará, previsto para a próxima semana, ocorra de portões fechados na Arena de Pernambuco.
O Clube compreende que os órgãos responsáveis por garantir a segurança de eventos como os carnavais de Recife e Olinda, que levam milhões de pessoas durante os dias de folia, também estão aptos a resguardar um público de 30 ou 40 mil pessoas em uma partida de futebol – conforme já ocorreu em diversas oportunidades recentes e mais longínquas, como a Copa do Mundo de 2014.
Paralelamente a isso, o Sport reforça que também emprega centenas de agentes privados contratados para ampliar a segurança no estádio e no entorno da praça esportiva dentro do raio que lhe compete, a fim de promover um ambiente pacífico e contribuir junto aos órgãos públicos, vez que, na condição de associação desportiva, bem como no que estabelece o Estatuto do Torcedor, é o que lhe cabe quanto à segurança.
O Clube entende que o motivo de existir e competir está integralmente ligado à sua torcida – razão de absolutamente tudo. Assim, portanto, perde-se o sentido do jogo e do espetáculo entrar em campo sem tê-la ao lado sem nenhum motivo aparente ou justo.
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Nuno Krause é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. Antes, foi correspondente da Itatiaia no Nordeste. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.



