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Clube indígena e cooperativista: conheça o Mushuc Runa, rival do Cruzeiro na ‘Sula’

Equipe equatoriana tem 22 anos, foi criada por indígenas e disputa pela terceira vez a Copa Sul-Americana

Elenco, comissão técnica e direção do Mushuc Runa reunidos

Adversário do Cruzeiro na segunda rodada da Copa Sul-Americana, o Mushuc Runa-EQU é um clube distinto da maioria. Desde sua fundação, El Ponchito mostrou que seria uma alternativa peculiar dentro do futebol.

A equipe equatoriana foi fundada em janeiro de 2003 por indígenas. As raízes, porém, são de anos anteriores, com a Cooperativa de Ahorro y Crédito Mushuc Runa.

  • O time desafiará a Raposa nesta quarta-feira (9), a partir das 21h30 (de Brasília), no Mineirão, pela segunda rodada do Grupo E.

Cooperativa revolucionária

Luis Alfonso Chango Pacha, natural da comunidade San Luis de Chibuleo, criou a Cooperativa de Ahorro y Crédito Mushuc Runa em 1995, a partir de uma indignação. À época, os indígenas eram vistos no Equador como um povo inferior. Portanto, não tinha acesso a crédito em bancos.

Desta forma, surgiu a Mushuc Runa - que em tradução livre do idioma quíchua significa “Homem Novo”. A missão do empreendimento era oferecer crédito, serviços financeiros e, acima de tudo, dignidade aos indígenas da comunidade.

A iniciativa foi um sucesso e é tratada como revolucionária no sistema financeiro equatoriano. Segundo o site oficial, a cooperativa tem 32 escritórios pelo país, oferece serviço de caixa eletrônico 24 horas por dia e tem cerca de 257 mil membros.

Fundação do Mushuc Runa SC

A partir da cooperativa surgiu o clube de futebol. Em 2 de janeiro de 2003, o Mushuc Runa Sporting Clube foi fundado em Ambato, capital da província de Tungurahua.

El Ponchito “nasceu” justamente com a missão de integrar os indígenas da região na sociedade por meio do esporte. As tradições e raízes do clube são mantidas até hoje, apesar da abertura para contratar jogadores de outros países.

Luis Alfonso Changa Pacho, que fundou a cooperativa, é o presidente vitalício do clube.

Orgulho e representatividade

Em seu Instagram, o Mushuc Runa mostra suas credenciais de cara: “orgulho indígena do futebol equatoriano” e “indígenas fazendo história” são frases que aparecem na descrição do perfil.

O poncho (foto na capa da matéria), uma vestimenta dos indígenas da região, é constantemente usado pelos jogadores da equipe. O traje para deslocamento aos jogos da Sul-Americana, inclusive, faz alusão a isso.

O Mushuc Runa tem origem dos Chibuleos, um dos povos indígenas da região de Tungurahua.

Desempenho esportivo

Dentro de campo, o clube conquistou, aos poucos, seu espaço entre os principais do Equador. A equipe tem a Segunda Divisão de 2018 como principal título, mas ainda sonha em vencer a elite.

As participações na Copa Sul-Americana também aparecem entre os principais feitos do Mushuc Runa. Nas duas primeiras, em 2018/19 e em 2021/22, a equipe caiu na primeira fase, para Unión Española-CHI e LDU-EQU, respectivamente.

Essa é a primeira vez que El Ponchito está na fase de grupos. Para chegar a este ponto, o time terminou o último Campeonato Equatoriano em sétimo e eliminou o Orenses-EQU na fase preliminar da “Sula”.

Cruzeiro x Mushuc Runa

O Mineirão estará com portões fechados, já que o Cruzeiro cumpre punição imposta pela Conmebol.

Líder com três pontos, o Mushuc Runa busca manter a ponta da tabela. A Raposa, por sua vez, luta por seus primeiros pontos.

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Lucas Barbosa é repórter do portal Itatiaia Esporte. Formado pela UFOP e natural de Raul Soares-MG, tem experiência em coberturas esportivas e jornalismo hiperlocal. Apaixonado pelo futebol brasileiro e suas histórias mais profundas, também já passou por veículos de rádio e televisão.