A direção da Fifa enviou nesta quinta-feira (4) comunicado às confederações filiadas informando o valor definitivo do repasse financeiro que será feito aos clubes que cederam jogadores para a Copa do Mundo do Catar, disputada entre novembro e dezembro de 2022. E o montante ficou maior do que o previsto inicialmente pela federação internacional.
Segundo documento ao qual a Itatiaia teve acesso, a Fifa informou que o valor da diária de cessão de cada atleta fechou em US$ 10.950 (R$ 55 mil), sem contar a carga tributária, que difere para cada país.
Em outubro do ano passado, quando anunciou que distribuiria um total de US$ 209 milhões (R$ 1,04 bilhão) de ressarcimento aos clubes, a Fifa estimava que o valor da diária ficaria no máximo em US$ 10 mil. Essa diferença se deu pela divisão de dias totais de Copa e atletas inscritos, diferente do projetado pela entidade em um primeiro momento.
Quatro clubes brasileiros cederam atletas para seleções que jogaram a Copa do Catar: Flamengo (com quatro nomes), Palmeiras, Athletico-PR e São Paulo, com um cada. Pelos critérios de pagamento da Fifa, o valor a que cada um terá direito a receber nos próximos dias é:
Flamengo - US$ 883.300 (R$ 4,43 milhões)
Everton Ribeiro (Brasil) - US$ 295.650 (R$ 1,48 milhão)
Pedro (Brasil) - US$ 295.650 (U$ 1,48 milhão)
Arrascaeta (Uruguai) - US$ 219.000 (R$ 1,1 milhão)
Varela (Uruguai) - US$ 73.000 (R$ 366,4 mil)
Palmeiras - US$ 295.650 (R$ 1,48 milhão)
Weverton (Brasil)
Athletico-PR - US$ 73.000 (R$ 366,4 mil)
Canobbio (Uruguai)
São Paulo - US$ 186.150 (R$ 934,3 mil)
Arboleda (Equador)
A Fifa informou no documento que repassará os valores para a CBF, que depois encaminhará as quantias respectivas a cada clube.
Como a Fifa chega a esses valores?
O dinheiro é dividido por alguns critérios: o número de jogadores cedidos por cada agremiação (quem envia mais, ganha mais) e o tempo que eles ficam à disposição da seleção durante a Copa (aqueles com jogadores avançando à final também recebem mais). A Fifa indeniza os clubes que detiveram o contrato do jogador nos dois últimos anos, então se o atleta defendeu mais de uma equipe o valor pago é dividido proporcionalmente.
A contagem da diária para a Copa-2022 começou no primeiro dia de liberação obrigatória dos jogadores, em 14 de novembro, seis dias antes da abertura com Catar 0 x 2 Equador. E terminou no dia seguinte à eliminação de cada seleção.
Por exemplo: no caso dos jogadores convocados para a seleção brasileira, a contagem começou em 14 de novembro e encerrou em 10 de dezembro, um dia depois da derrota para a Croácia, nas quartas de final.
Portanto são 27 dias multiplicados por US$ 10.950, que chega aos US$ 295.650 por cada atleta chamado por Tite -- casos de Pedro e Everton Ribeiro, do Flamengo, e de Weverton, para o Palmeiras, e de todos os clubes estrangeiros dos demais 23 selecionados.
No caso de Varela, o Flamengo terá que dividir o valor total referente ao lateral com outros dois clubes, Dínamo de Moscou-RUS e Copenhage-DIN, que também detiveram o contrato do atleta nos dois anos anteriores à Copa, a partir de novembro de 2020, portanto. O mesmo no caso de Canobbio, do Athletico-PR, que terá o Peñarol-URU e o Fénix-URU como parceiros.
O jogador não precisa ter atuado um minuto sequer na Copa para o clube ter direito ao montante, basta ter sido convocado e ter se apresentado à seleção.
Para a Europa parar de reclamar
A Fifa adotou a compensação financeira aos clubes na Copa da África do Sul, em 2010, quando distribuiu US$ 40 milhões. Na época ocorreu o auge da reclamação de times europeus em ceder jogadores para seleções nas Datas-Fifa (quando ocorrem amistosos ou partidas de Eliminatórias da Copa), e também na fase final do Mundial.
Houve movimentação, inclusive, para boicote em ceder jogadores, o que contraria as regras da entidade, que exige a liberação nas datas especificadas no calendário. Além da questão física dos atletas, que se desgastam em partidas e viagens por suas seleções, havia também a questão financeira, já que os altos salários pagos continuavam sendo obrigação apenas dos clubes.
Na mesma época, a Fifa introduziu outro benefício, que é o de compensação financeira em caso de lesão do jogador em ação pela seleção nas Datas-Fifa ou torneios oficiais, como a Copa do Mundo. A entidade reserva para isso cerca de US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) por ciclo, que para a Fifa são os quatro anos entre os Mundiais.