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CBV reage à punição do COB por escalação de Wallace na Superliga

Oposto marcou o último ponto do Cruzeiro sobre o Minas na conquista do torneio nacional

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) criticou as punições anunciadas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), no caso Wallace. A entidade argumenta que as sanções podem afetar a Seleção Brasileira na preparação para os Jogos Olímpicos de Paris. De acordo com a entidade, a participação nos Jogos Pan-Americanos também não seria possível.

“A decisão do CECOB prejudica gravemente a preparação do vôlei brasileiro para os Jogos Olímpicos de Paris-2024, e impede a participação das equipes nos Jogos Pan-Americanos, nos Mundiais de base e nas etapas do Circuito Mundial de vôlei de praia”, diz a nota publicada pela entidade.

No documento em que o COB anuncia as punições para Wallace e CBV, não fica clara qual é a determinação para a participação do Brasil nos torneios pré-olímpicos. Na teoria, poderia haver dificuldade para inscrever os atletas, já que a CBV está afastada do sistema olímpico. Na prática, isso não deve acontecer.

Não há interesse do COB em deixar a Seleção Brasileira fora dos campeonatos mais importantes da temporada. A entidade que organiza o vôlei nacional afirma que espera ter direto amplo e irrestrito à defesa.

“A CBV garante que empenhará todo o seu esforço e seus recursos para manter a preparação dos atletas, de quadra e de praia, para estas importantes competições. E espera que o COB respeite seu estatuto e a legislação vigente, e não tome qualquer medida sem que a CBV tenha direito amplo e irrestrito à defesa.”

Disputa jurídica

As punições foram anunciadas pelo Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB) na terça-feira. E se referem à escalação e uti lização do oposto Wallace de Souza em quadra pelo Cruzeiro na final da Superliga masculina de vôlei, no domingo. O jogador estava suspenso desde abril e só poderia voltar a jogar nesta quarta.

O conselho, então, suspendeu a CBV por seis meses; o presidente da CBV, Radamés Lattari Filho, por um ano de todas as atividades esportivas vinculadas ao COB. E ainda recomendou que o Banco do Brasil e o Ministério do Esporte cortassem todos os repasses financeiros à CBV por seis meses.

Radamés é vice-presidente da CBV, mas comandava a entidade interinamente desde que o presidente Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, se afastou do cargo em janeiro deste ano em decorrência de problemas de saúde. Agora, quem assume é Igor Ribeiro Dantas, presidente da Federação do Rio Grande do Norte.

O Conselho de Ética do COB também decidiu aumentar consideravelmente a pena de Wallace, que antes sido punido com 90 dias para clubes e de um ano em relação à seleção brasileira. Agora, o oposto, caso seja mantida a punição, pode encerrar sua carreira aos 35 anos, visto que está suspenso por cinco anos nos dois cenários. Outra sugestão do CECOB é para o Tribunal de Contas da União (TCU) fazer uma tomada de contas especial sobre os valores públicos federais investidos na CBV.

Publicação de Wallace

A punição do medalhista olímpico com a seleção brasileira de vôlei aconteceu depois que Wallace sugeriu um “tiro na cara” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em publicação nas redes sociais em janeiro deste ano.

Wallace só entrou em quadra no domingo e foi campeão da Superliga pelo Cruzeiro, graças a uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Depois do jogo, ele disse que errou ao perguntar aos seus seguidores quem daria um tiro em Lula e agradeceu as pessoas que o apoiaram. “Cometi um erro fora de quadra, do qual me desculpei, me arrependi. Não desejo que nenhum atleta passe por isso”, afirmou.

Em janeiro, o Sada Cruzeiro lamentou a atitude de Wallace e anunciou seu afastamento da equipe por tempo indeterminado, ressaltando a necessidade de cautela em manifestações nas redes sociais por causa do momento “delicado” do País. O atleta é apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas pelo petista nas eleições de 2022 e entusiasta da ampliação do acesso a armas pela população.

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