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Negros recebem mais cartões amarelos e vermelhos do que brancos no futebol, aponta estudo

Estudo feito por dois pesquisadores aponta que jogadores de pele mais escura na primeira divisão italiana recebem mais cartões e têm mais faltas marcadas contra

Jogadores negros recebem mais cartões amarelos e vermelhos do que atletas brancos, de acordo com estudo realizado por dois pesquisadores estrangeiros. Em média, os futebolistas cujo tom da cor de pele é mais escuro recebem 11% mais cartões amarelos e 16% mais vermelhos do que os jogadores cuja pele é mais clara.

Morgan Wack, da Universidade de Washington, e Beatrice Magistro, da Universidade de Toronto, analisaram mais de 8 mil jogos da Serie A, a primeira divisão do campeonato italiano, e passaram por mais de 6 mil jogadores por ano. Os dados foram colhidos entre as temporadas 2009-10 a 2021-22. Os pesquisadores escolheram o futebol italiano pelo histórico de casos de racismo por parte de dirigentes, jogadores e torcedores no país.

A pesquisa foi realizada em 2022. “Racial Bias in Fans and Officials: Evidence from the Italian Serie A”, em tradução livre: “Viés Racial em torcedores e profissionais: evidências do futebol italiano” foi divulgado na Universidade de Toronto, no Canadá.

Os autores contatam que o “vieses implícitos e pessoais de racismo em árbitros também é visto em jogos da Premier League [primeira divisão inglesa]”. Eles ainda complementam que “acreditam que a nacionalidade dos jogadores não influencia na decisão dos árbitros tanto quanto o tom de pele na Itália”.

Além das advertências com cartão, a pesquisa aponta que, quanto mais escuro o tom de pele do jogador, maior a frequência de faltas “cometidas”. É aproximadamente 20% mais frequente de o juiz apitar a falta em divididas de jogadores negros do que brancos. A pesquisa não fez juízo de valor entre “faltas claras” e “faltas polêmicas”.

Diferentemente de alguns estudos anteriores que faziam uma classificação binária (negro x branco), os pesquisadores ampliaram o campo de análise. Foram considerados 20 tons de pele com base em informações do Football Manager, plataforma online reconhecida pelo confiável e extenso banco de dados com mais de 1.300 clubes de futebol inteiramente detalhados.

Jogos sem torcida

Wack e Magistro ainda fizeram outro recorte. A dupla especificou as temporadas que não tiveram torcedores nas arquibancadas em função da Covid-19.

Na coleta de dados dos pesquisadores, ficou constatado que a diferença entre os cartões aplicados a brancos e negros foi menor sem torcedores nos estádios. Desta maneira, os pesquisadores ponderaram que a pressão da torcida italiana pode influenciar em uma decisão mais enviesada racialmente por parte do árbitro de campo.

‘Sangue puro italiano’

Em pesquisa realizada em 2019 pela SWG Italy, instituto de pesquisa italiano, mais de 50% dos italianos concordam e consideram “justificáveis” manifestações racistas e a favor de um “sangue puro italiano”.

Estudante de jornalismo na UFMG, estagiário no jornalismo digital da Itatiaia.
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