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Autor do gol do título da Argentina em 1986, Burruchaga vê hermanos fortes no Catar

Atualmente com 60 anos, Jorge Burruchaga concedeu entrevista ao Al Arabi e falou sobre o Mundial que se aproxima

Jorge Burruchaga foi campeão do mundo pela Argentina em 1986, e marcou gol na final

Faltando 26 dias para a Copa do Mundo no Catar, um personagem que marcou história pela Argentina, o ex meia-atacante Jorge Burruchaga, concedeu entrevista ao Al Arabi, e abordou assuntos importantes relacionados ao torneio de seleções mais importante do planeta.

Autor do gol na final da edição de 1986, no México, na qual os hermanos acabaram com o caneco, Burruchaga conhece o país sede e destaca o que apresentará de diferente ao Mundo a partir do próximo mês.

“Conheço o Catar, é feito em um espaço muito pequeno porque Doha é uma cidade pequena para o mundo do futebol. Nas duas primeiras semanas, todos os times vão se encontrar, todos os torcedores na mesma cidade. Vai ser estranho. Será uma descoberta diferente. Não tenho dúvidas de que será uma grande Copa do Mundo pelo poder econômico que eles têm para montar essa Copa do Mundo que se aproxima”, destaca o ex-jogador, que na Copa de 2018, na Rússia, trabalhou na equipe de Jorge Sampaoli, ex-comandante do Atlético.

Perguntado sobre os favoritos a ficar com a taça no Catar, Burruchaga coloca a Argentina entre os protagonistas, principalmente por um feito alcançado em terras brasileiras.

“Vamos começar pela Argentina, que é muito boa. É muito sólida. Não é pouca coisa ter 34 jogos invicto, com um time consolidado. Obviamente, depois de vencer a Copa América no Brasil, o time se libertou, e a figura de Leo (Messi) se manifesta mais do que a de qualquer jogador. A Argentina tem potencial em termos do grupo, o que normalmente vem fazendo há muito tempo. Quanto às características, o treinador pode dar-lhe diferentes possibilidades, tendo mais a Messi”, comenta.

“No mesmo lote, ou um pouco mais alto, podem estar a França e o Brasil. Mas a Argentina está muito perto. E você tem muitas equipes que você tem que respeitar. Há alguns deles com muita história. Não vamos falar da Alemanha... É uma seleção que no futebol nunca pode ser desprezada ou desrespeitada porque em Copas do Mundo sempre se diz presente, exceto o passado na Rússia. Então você tem equipes de segundo nível, se você quiser chamar de algo, que são muito boas, como Portugal, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Espanha, através da juventude que Luis Enrique tem em sua equipe. A Croácia é outra. Uruguai sempre dá dores de cabeça. O Equador tem uma ótima seleção. Digo que é uma Copa do Mundo, diferente do passado, com muitos times mais competitivos. Será visto nas partidas do grupo e naquelas que se classificam para as oitavas de final”, vai além.

Confira outros pontos abordados com o ex-meia:

  • Você converteu um gol na final da Copa do Mundo no México 86 em um passe de Maradona. O que significou em sua vida pessoal e esportiva ter marcado um gol em uma final de Copa do Mundo após um passe de Diego Maradona?

“Quanto ao pessoal, não me modificou nada. Eu honestamente digo isso, nada mudou para mim. Sim, a maior alegria que tive como jogador de futebol foram as Copas do Mundo de 1986 e 1990, quando jogamos duas finais. O de 86, logicamente pelo gol que eu tinha que marcar, que o mundo inteiro te veja. Acima de tudo, é preciso pensar que aqueles tempos não eram como agora, em termos de divulgação, de ampliação das notícias, pela velocidade com que algo chega. Se a Argentina conseguir vencer e esse gol for marcado por Messi, será um pouco mais. Mas se alguém menos conhecido fizer isso, será mais conhecido do que éramos naquela época. Mas, não é nem mais nem menos do que atingir o objetivo mais difícil que um jogador de futebol tem, que é jogar com seu time, ganhar um título, marcar um gol. É o que sempre digo que entre tantos jogadores que tentam eu fui um desses, como poucos na história do futebol argentino, em termos de gol, no que significava e como digo há 36 anos foi o maior alegria grande da minha vida”.

  • Você jogou com Maradona, você viu Messi jogar. Quem gerou mais espanto ao vê-lo jogar?

“Ambos, honestamente, além do tempo. Eles jogaram diferente. Diego era um jogador mais off-road, ele poderia jogar você como atacante, como engate, como meio-campista, como assistente. Leo até esses últimos três anos era horizontal e vertical, mas 30 metros, sua velocidade e avanços eram superiores a Diego. A coisa de Leo parecia um trem bala. Mas acho que as diferenças que existem, é o bom de tudo isso, como sempre digo, que ambos são argentinos e você tem que aproveitar. Dentro das mudanças do futebol, que a comparação e o comentário não me levam além do que digo. Desde a diferença que eles fazem em termos de futebol, sem falar na personalidade, até a diferença que existia naquela época nossa e agora”.

* Com Juan Pablo Mendéz

Henrique André é repórter multimídia e setorista do Atlético na Itatiaia. Acumula passagens por Uol Esporte, Jornal Hoje em Dia e outros veículos. Participou da cobertura de grandes eventos, como Copas do Mundo (2014-18), Olimpíada (2016-2021) e Mundial de Clubes (2025).