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Bruce Willis: os sinais ‘sutis’ da doença incurável que acometeu o ator

Bruce Willis foi diagnosticado com doença incurável em 2023

Bruce Willis e a filha, Tallulah Willis

Os sinais “sutis” apresentados por Bruce Willis, de 70 anos, antes de descobrir uma doença incurável em 2023, foram revelados por sua esposa, Emma Heming Willis, de 47. O ator tem diagnóstico de demência frontotemporal.

Em entrevista à jornalista norte-americana Diane Sawyer, Emma disse que notou sinais de que algo estava “errado” em Bruce Willis ao percebê-lo muito quieto.

“Para alguém muito falante e muito engajado, ele era um pouco mais quieto”, revelou. “Quando a família se reunia, ele simplesmente se encolhia um pouco”, acrescentou a esposa de Bruce.

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Ainda, segundo ela, o ator “parecia um pouco distante, muito frio, diferente do Bruce, que era muito caloroso e carinhoso”.

“Fazer o oposto disso era alarmante e assustador”, completou Emma, que chegou a enfrentar uma “crise” no casamento por conta das incertezas.

Bruce Willis e a esposa, Emma Heming

“Eu só pensava: Será que consigo continuar em um casamento que não se parece com o que tínhamos? Que não parece mais um casamento?”, se questionou.

Após várias conversas, eles, que são casados desde 2009, descobriram que o ator estava doente.

Como está Bruce Willis hoje?

Ainda em entrevista, a esposa de Bruce Willis contou que o marido está “morando em uma segunda casa” por conta das suas necessidades. “Foi uma das decisões mais difíceis que já tomei até agora”, disse ela.

Emma aproveitou, também, para atualizar o estado de saúde dele. Conforme ela, o cérebro do ator “está falhando”, mas ele “ainda tem muita mobilidade” e “está com ótima saúde no geral”.

Demência Frontotemporal

Paulo Caramelli, especialista em cognição e professor da UFMG, explicou que a DFT é a segunda causa de demência degenerativa mais frequente com início antes dos 65.

A doença se dá pelo acúmulo de “proteínas anormais no cérebro”. Conforme o médico, existem duas características ou duas formas de apresentação clínica da doença, sendo elas: variante comportamental e variante de linguagem.

Na primeira apresentação, o paciente, fundamentalmente, tem alterações de comportamento. De acordo com Caramelli, elas “vão desde apatia ou desinibição, alterações de hábitos alimentares, como preferência por doces, a apresentação de algum tipo de compulsão”.

“Na maior parte dos casos de Demência Frontotemporal, da variante comportamental, a memória não é tão afetada no início e é por isso, por exemplo, que essas pessoas não têm dificuldades de localização espacial”, completa.

A outra variante é a de linguagem. “A linguagem é a alteração clínica inicial, menos comportamento e também menos memória. De toda forma, são apresentações clínicas que evoluem de forma progressiva e, em fases mais avançadas, fica muito difícil você diferenciá-las. Em geral, a memória não é alterada precocemente ou no início do quadro”, destaca o médico.

As duas variantes interferem de formas distintas na qualidade de vida do paciente. “Seja pela linguagem, que, aparentemente, foi a forma que acometeu o ator Bruce Willis no início e, obviamente, trazendo um impacto enorme para a vida e também para profissão dele, mas também a forma comportamental acaba interferindo muito sobre a qualidade de vida da pessoa afetada e da família”, pontua.

Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.