Mudanças no currículo: veja como fica o Ensino Médio em 2026

Novo modelo passa a ser obrigatório neste ano e amplia carga horária; implementação ainda exige acompanhamento

Novo modelo passa a ser obrigatório neste ano e amplia carga horária

Neste ano de 2026, todos os estudantes do ensino médio passam a ser atendidos pelo novo modelo previsto na Política Nacional do Ensino Médio. As mudanças incluem a ampliação da carga horária, a reorganização do currículo e novas regras para os itinerários formativos, que passam a ser obrigatórios em todo o país.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a implementação está em curso desde 2024 e ocorre de forma gradual, em diálogo com as redes estaduais e distrital. A proposta segue a Lei nº 14.945/2024 e prevê o aumento da carga horária da formação geral básica para 3.000 horas ao longo dos três anos do ensino médio.

Para entender o que muda na prática, veja um comparativo entre o modelo anterior e o atual do ensino médio:

Ensino médio regular

  • Antes: a carga horária das disciplinas obrigatórias, como português, matemática, inglês e educação física, era de cerca de 1.800 horas, enquanto a parte optativa somava 1.200 horas.
  • Agora: as disciplinas obrigatórias passam a totalizar 2.400 horas, enquanto a parte optativa — os itinerários formativos — é reduzida para 600 horas, voltadas ao aprofundamento em áreas de interesse do estudante, como economia, saúde e meio ambiente.

Educação profissional e tecnológica (escolas técnicas)

  • Antes: a formação geral básica era de aproximadamente 1.800 horas.
  • Agora: essa carga sobe para 2.100 horas, com maior integração entre a formação geral e disciplinas diretamente relacionadas ao curso técnico, como português, física e química.

Além disso, o novo modelo reorganiza os itinerários formativos, que devem estar vinculados às áreas do conhecimento como linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, e fortalece a oferta da educação profissional e tecnológica integrada ao ensino médio.

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De acordo com o MEC, os sistemas de ensino adotaram estratégias diferentes para colocar o novo currículo em prática. Alguns estados implementaram a nova matriz de forma simultânea nas três séries já em 2025, como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Goiás, Pará e o Distrito Federal. Outros optaram por modelos escalonados, com implementação distribuída entre 2025, 2026 e 2027, respeitando a autonomia de cada rede.

O que ainda precisa ser monitorado/ajustado

Para entender se as mudanças serão efetivas, é necessário acompanhar o processo de implementação e os resultados ao longo do tempo. Para a gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Luana Smeets, o monitoramento de indicadores é essencial.

Outro ponto importante é a oferta dos itinerários formativos. Segundo Luana, um dos desafios é garantir que as redes compreendam essa etapa como uma estratégia de flexibilização do currículo. “Os estudantes devem poder escolher, e, para isso, cada escola precisa ofertar pelo menos dois itinerários formativos de aprofundamento”, explica.

Ela também destaca a importância de seguir os parâmetros nacionais, que determinam que os itinerários sejam complementares à formação geral básica nas quatro áreas do conhecimento, evitando prejuízos à aprendizagem dos conteúdos essenciais.

Além disso, ainda será necessário acompanhar se as redes adaptaram suas matrizes curriculares, já que, em 2026, todos os estudantes do ensino médio, independentemente da série, devem estar inseridos no novo modelo. Também será preciso ajustar as matrizes de avaliação, tanto das avaliações estaduais quanto das nacionais, para que reflitam as mudanças no currículo.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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