Ouça a rádio

Compartilhe

Helicóptero que sobrevoou Mineirão estava irregular e, segundo empresa, piloto decolou sem autorização

Aeronave pertence à empresa que tem como sócios Cristiano Richard dos Santos Machado, indiciado pela Polícia Civil no inquérito que apurou irregularidades na gestão de Wagner Pires

Helicóptero sobrevoou o Mineirão e assustou torcedores do Cruzeiro

O helicóptero que sobrevoou o Mineirão e assustou torcedores que acompanhavam o jogo entre Cruzeiro x Ponte Preta, nessa quinta-feira (16), estava com certificado de aeronavegabilidade vencido deste 14 de maio deste ano, conforme consta no site da Agência Nacional de Aviação (Anac). Ele estava autorizado apenas a realizar voos de manutenção, de acordo com autorização especial da ANAC.

De acordo com o documento que permite a decolagem da aeronave, a rota escolhida deveria evitar locais que poderiam "expor pessoas ou bens ao risco, sendo do operador a responsabilidade da escolha da rota e pistas de pouso e decolagem a serem utilizadas".

O helicóptero pertence à empresa MHE Participações e Empreendimentos Ltda, que tem como um dos sócios Cristiano Richard dos Santos Machado, um dos indiciados pela Polícia Civil no âmbito do inquérito que investigou possíveis irregularidades na gestão de Wagner Pires de Sá e Itair Machado.

Vários torcedores registraram o sobrevoo do helicóptero, que estava mais baixo que o normal. “Achei muito grave. Estádio estava lotado”, destaca Alexandre Botinha, editor do Jornal da Itatiaia que estava no Mineirão.

De acordo com nota publicada pela empresa, que também tem Marcelo Tostes de Castro Maia, Edward Munson Mason II, HC Locação de Veículos Ltda. como sócios, o helicóptero estava entregue à manutenção desde janeiro de 2022 e o voo realizado pelo piloto não era do conhecimento de nenhum dos donos (veja a nota completa abaixo).

Até 500 pés

Especialistas em aviação ouvidos pela Itatiaia explicaram que o espaço aéreo permite voos de até é 500 pés do último obstáculo. Como o Mineirão tem antenas, o helicóptero teria que passar muito acima do que sobrevoou na quinta. Além disso, é preciso ter planejamento previamente autorizado. Ainda conforme os especialistas, o piloto pode perder a licença e a aeronave será multada por valor que pode superar o preço do helicóptero.

Muita gente falando do helicóptero que sobrevoou o Mineirão durante o jogo do Cruzeiro. Um trechinho de um vídeo pra mostrar que tava baixo pra caramba mesmo. Olha aí, @josiaspereira pic.twitter.com/Rf642zhNRQ

— Guilherme Piu (@guilhermepiu) June 17, 2022

Procurada pela Itatiaia, a ANAC disse que "teve acesso aos vídeos do ocorrido e já deu início a apuração do caso. A Agência aplicará as medidas administrativas cabíveis, que podem incluir a emissão de auto de infração, a interdição da aeronave e a suspensão das licenças do piloto, por exemplo".

Além disso, a agência solicitou que quem quiser fornecer mais imagens e informações pode entrar em contato pelo canal oficial http://www.anac.gov.br/falecomaanac.

Confira a nota:

"A MHE PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA informa, por meio da presente nota, que tomou conhecimento pela imprensa e redes sociais que o helicóptero matrícula PR-VJX, de sua propriedade, realizou sobrevoo no estádio Magalhães Pinto - Mineirão, durante o jogo do Cruzeiro, ontem - dia 16 de Junho de 2022.

A MHE esclarece que a referida aeronave se encontra na empresa de manutenção de aeronaves HBR, desde janeiro de 2022, realizando manutenção prevista no calendário regular da fabricante, ainda não tendo sido formalmente restituída. O ato praticado foi realizado em absoluta revelia da MHE, não tendo a mesma sido comunicada, inclusive, da intenção da oficina e/ou da tripulação da aeronave em realizar algum voo no equipamento.

Os sócios da MHE repudiam os atos praticados pelos pilotos da aeronave que, repita-se: foram praticados em absoluta revelia da MHE e reitera que sempre zelou pela total e irrestrita observância às normas e regulamentos aeronáuticos na operação da referida aeronave.

Por fim, a empresa informa que já está tomando todas as medidas cabíveis contra os responsáveis pelo ato praticado, sem prejuízo da apuração da postura da empresa de manutenção HBR AVIAÇÃO S/A, em relação ao voo, tendo em vista ser a mesma a responsável pela guarda e custódia da aeronave durante todo o processo de manutenção.

Leia Mais

Mais lidas

Ops, não conseguimos encontrar os artigos mais lidos dessa editoria

Baixar o App da Itatiaia na Google Play
Baixar o App da Itatiaia na App Store

Acesso rápido