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Crise da pediatria nos hospitais públicos de BH é a pior da história, relatam médicos

Horas de espera no atendimento e baixo número de pediatras disponíveis estão entre as razões que levaram à crise no sistema público de saúde em Belo Horizonte

Aos fins de semana, espera pode chegar até 5 horas

O cenário da pediatria nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de Belo Horizonte nunca foi tão ruim quanto o enfrentado do início do ano para cá, conforme a avaliação do pediatra Fernando Mendonça, diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG). Segundo análise do médico, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deveria contratar mais 300 profissionais para suprir a alta demanda do período do inverno, reduzir a espera das famílias por atendimento e garantir condições básicas de trabalho aos profissionais. 

A crise na pediatria é sentida de forma mais direta justamente pelas famílias que dependem do sistema público de saúde. Conforme apuração ao longo do último mês, a piora na situação é um acumulado de problemas históricos acentuados na época do ano em que o número de crianças adoecidas cresce – o inverno. Neste período, a falta de profissionais foi sentida de forma mais evidente, com mudanças na estratégia da prefeitura, concentrando profissionais em três unidades de saúde, filas enormes e hospitais superlotados.

A situação se tornou ainda mais grave com a saída de médicos das unidades municipais de saúde. Salários pouco atrativos, jornadas exaustivas, casos de violência registrados nos pronto-atendimentos e a precariedade no trabalho são alguns dos motivos que levam os profissionais a se afastar dos cargos. Médicos que atuam em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e centros de saúde da capital preferiram não se identificar, mas destacaram as principais queixas. 

A evasão de profissionais sempre ocorreu nas UPAs. No entanto, com a intensidade que estamos vivenciando nesse momento, eu não me lembro. Inclusive, conversando com pediatras que estão quase se aposentando, eles compartilham a mesma constatação: nunca tivemos uma situação tão ruim como a de agora.

Para o diretor Fernando Mendonça, 300 médicos, pelo menos, deveriam ser contratados para amenizar ou solucionar o problema. Porém, devido às condições de trabalho às quais são submetidos, há bastante rotatividade. A informação, aliás, foi confirmada pela própria prefeitura da capital em nota à Itatiaia. “A rotatividade e a alta demanda por profissionais geram uma constante necessidade de novos colaboradores”, diz parte do texto. 

Os novos médicos não chegam ou permanecem por pouco tempo nos hospitais da rede municipal. Isto porque, de acordo com o Sindicato dos Médicos, os profissionais sabem o que os aguarda nas UPAs e aqueles que permanecem cumprem jornadas exaustivas. Em plantões de 12 horas, por exemplo, médicos da capital chegam a atender até 60 crianças. 

Em nota enviada a reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) explicou que cerca de 259 médicos pediatras atuam em unidades de saúde da capital – além de generalistas, que são direcionados à pediatria para suprir a demanda. No entanto, com o período caótico, o número de profissionais pode cair nos próximos dias. 

A pasta também mencionou ter convocado 188 médicos aprovados em concurso no último 15 de junho. Porém, de acordo com o Sinmed-MG, muitos desistiram de tomar posse devido às condições de trabalho. 

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