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Mulher que aplicava silicone industrial em travestis tinha agenda lotada e cobrava mais de R$ 3 mil 

Travesti, que morreu, teve dificuldade em marcar o procedimento com ela por causa da agenda 

Delegados Frederico Abelha e Hugo Arruda, e o Inspetor Arnaldo Gomes

A mulher trans, de 38 anos, que aplicava silicone industrial em travestis, cobrava cerca de R$ 3 mil para realizar o procedimento - que incluía a injeção com o produto e o anestésico. Segundo a Polícia Civil, ela tinha uma assistente, de 22 anos, que aplicava o silicone com o auxílio dela.

A travesti, de 36 anos, que morreu teve dificuldade em marcar o procedimento com ela, que tinha a agenda lotada. “Até para o reagendamento da cirurgia a vítima teve dificuldade de fazê-lo”, afirmou o delegado Hugo Arruda, titular da Delegacia Especializada de Homicídios Barreiro.

Ela, que trabalhava em uma escola pública da capital, esteve no imóvel no bairro Coqueiros, na região Noroeste de Belo Horizonte, totalmente insalubre, em março deste ano, onde aplicou 4 litros de silicone industrial. Insatisfeita, no dia 7 de abril ela voltou ao local e injetou mais 2 litros. Porém, minutos depois ela morreu.

Naquele dia, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encontrou a travesti já morta. Na ocasião, a mulher trans disse que ela estava em sua casa se recuperando de um procedimento realizado no estado de Goiás. A causa da morte foi “embolia decorrente de material exógeno”, que, no caso, é o silicone industrial.

Dias após o óbito, familiares ficaram desconfiados da versão dela, visto que a travesti não havia viajado para Goiás. Com isso, a Polícia Civil deu início às investigações.

“Após a morte da vítima, ela mudou a forma de agir e passou a aplicar na residência dos pacientes. Foi o que ocorreu com a vítima, de 33 anos, que veio a falecer no dia 1º de junho no Hospital Odilon Behrens”, destacou o delegado. Essa travesti, que passou pelo procedimento no dia 24 de maio, morreu no dia 1º deste mês. Ela seria a segunda vítima dos procedimentos ilegais realizados pela mulher trans, que atuava como “bombadeira”.

De acordo com a polícia, tanto ela, quanto a assistente, apenas tinham ensino médio. “Ela tem passagens por exploração sexual de menores, homicídio, ameaça, lesão corporal e, também, por chefiar um ponto de prostituição em Contagem, onde cobrava cerca de R$ 30 por dia pelo uso do local”, afirmou o delegado.

Conforme ele, as ameaças e lesões são “decorrentes da atividade de rufianismo” durante cobranças de pagamentos.

A mulher trans não confessa o crime, mas, de acordo com a polícia, a assistente assume de “forma informal”. Diferente da responsável pelos procedimentos, a jovem não tem passagens pela polícia.

Produto é usado para limpar aviões

O produto usado como silicone serve para várias atividades. “Silicone industrial é um material utilizado em diversas atividades, ele não tem restrição de venda, até, porque, ele é expressamente proibido para uso no corpo humano”, explicou o delegado.

De acordo com ele, ao ser aplicado no corpo, o produto espalha causando intoxicações, infecções, paradas cardíacas e outros agravantes.

A dupla cumpre prisão temporária de 30 dias, que pode ser convertida para preventiva. Para auxiliar nas investigações, outras vítimas podem procurar a polícia e registrar a ocorrência.

O tempo que ela exercia a atividade ilegal está sendo apurado.

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