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Novos cortes de juros dependem dos sinais de desaceleração, dizem analistas

Em seu comunicado, o Comitê de Política Monetária ressaltou um cenário de “elevada incerteza” na economia brasileira

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Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília • EVARISTO SA / AFP

Analistas do mercado financeiro observam que a continuidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, ainda depende de novos dados que possam reforçar os sinais de desaceleração da economia e controle da inflação. Nessa quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa de 14,25% ao ano para 14%, no quarto corte consecutivo.

Em seu comunicado, o colegiado ressaltou um cenário de “elevada incerteza” na economia brasileira, com impactos dos conflitos armados no Oriente Médio e até os efeitos climáticos do El Niño. Segundo o grupo, esse cenário exige cautela de países emergentes em razão da volatilidade de preços de ativos e commodities.

“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Copom.

Segundo a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, o comunicado possui menos ruído em relação à última reunião do colegiado, sem menção a cenários alternativos, e deixa em aberto os próximos passos do ciclo. A instituição manteve a expectativa de um novo corte de 0,25 p.p na reunião de setembro e nas próximas de 2026, com a Selic encerrando o ano a 13,25%.

“A indicação de que o ciclo de calibração está indefinido nesse momento aponta para a continuidade dos cortes no cenário atual de continuidade da desaceleração da inflação, que esperamos para os próximos meses, e atividade mais fraca, o que manterá as expectativas de mercado também com ajuste para baixo”, explicou.

Sinais limitados

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, o comunicado pós-reunião foi neutro, oferecendo sinais limitados sobre os próximos passos da política monetária. Segundo ele, a menção de uma moderação gradual da atividade e desaceleração da inflação no comunicado mostra que os indicadores recentes foram melhores, mas com alta volatilidade.

“Em nossa visão, os atuais choques de oferta global (energia, inteligência artificial, El Niño) e demanda doméstica, além das expectativas acima da meta ainda justificam uma pausa na calibragem da taxa de juros no patamar atual. Essa abordagem conservadora contribuiria para evitar uma deterioração das expectativas de inflação e garantir um ambiente mais claro para um ciclo mais assertivo”, disse, reconhecendo que a inflação pode estar esfriando.

“Caso esse cenário se confirme nos dados que virão, uma pausa deixaria de fazer sentido, e o Copom deveria optar por continuar reduzindo gradualmente a taxa Selic nos próximos meses. Por ora, mantemos nossa projeção para a Selic em 14,00% neste ano e 11,50% em 2027”, completou.

Já Ian Lima, gestor de renda fixa do Inter Asset, o comunicado não fechou as portas para futuros cortes, mas deixou claro que será necessário observar uma melhora no balanço de riscos para que a calibração da política monetária avance. “No momento, o cenário-base de maior probabilidade continua sendo a manutenção da Selic”, ressaltou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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