Mineração, comunidade e o desafio de ser um bom vizinho
Clóvis Torres, Presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente da Belo Sun, entende que a empresa precisa contribuir para que a região em que está inserida se desenvolva

Para Clóvis Torres, um grande projeto de mineração não pode ser pensado apenas a partir dos interesses da empresa. Quando uma operação chega a uma região, ela passa a fazer parte da rotina daquela comunidade, e precisa construir uma relação de longo prazo com quem vive no entorno.
Presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente da Belo Sun, Clóvis afirma que esse relacionamento começa antes mesmo da operação e envolve diálogo com moradores, poder público e representantes da sociedade.
“Eu acho que a licença social para operar, ela sempre é mais importante que qualquer outra.”
A ideia, segundo o executivo, é tratar a comunidade como parte do projeto. Ele compara essa relação à convivência entre vizinhos: a empresa precisa conhecer quem está ao seu redor, entender os impactos de sua presença e também contribuir para que a região se desenvolva.
“Você tem ali o sermos bons vizinhos. E isso é fundamental para qualquer empreendimento de longo prazo.”
Essa relação ganha ainda mais importância quando o empreendimento está em uma região como a Amazônia. Clóvis afirma que a sensibilidade ambiental e social exige atenção redobrada e a empresa precisa acompanhar de perto as comunidades e o ambiente afetado pelo projeto.
“Qualquer indústria, qualquer desenvolvimento, ela envolve muitas coisas, não só a questão social, a questão ambiental, mas a atenção do mundo inteiro.”
Para ele, a responsabilidade não termina nos limites físicos da operação. A atividade também movimenta a cidade e pode aumentar a demanda por serviços públicos e privados.
Na entrevista, Clóvis cita como exemplo o crescimento da população provocado pela chegada de trabalhadores e defende que empresa e poder público estejam preparados para lidar com essas mudanças.
Ele também fala sobre os royalties pagos pela atividade e sobre a necessidade de que os recursos gerados pelo empreendimento sejam utilizados para beneficiar a população.
“Para nós: se nós estamos bem, nossos vizinhos têm que estar bem.”
O desafio de não ser uma ilha
A preocupação com a comunidade está ligada a outro ponto defendido por Clóvis: o desenvolvimento provocado pela mineração não pode ficar restrito à empresa.
Para o executivo, é preciso estimular outros negócios e atividades econômicas que aproveitem a movimentação criada pelo projeto, mas que não dependam exclusivamente dele.
“Não somos uma ilha.”
A expressão aparece em um contexto mais amplo: se a empresa cresce, a região ao redor também precisa encontrar caminhos para crescer. Isso envolve fornecedores, serviços, trabalhadores e o próprio poder público.
Clóvis cita exemplos de atividades que podem ser beneficiadas pela presença do empreendimento, como construção, alimentação, transporte e outros serviços. A preocupação é fazer com que esse movimento econômico tenha continuidade.
“É importante haver uma parceria, que nós trabalhemos juntos para desenvolver outras atividades, não só as que vão atender o projeto.”
Essa parceria, segundo ele, precisa envolver a prefeitura, a Câmara de Vereadores e a população organizada.
O objetivo é evitar que a economia local fique excessivamente dependente de uma única atividade e que, no futuro, a saída da mineração deixe um vazio econômico.
Para Clóvis, um projeto de longo prazo precisa ser pensado dessa maneira: a empresa chega, gera atividade econômica, movimenta a comunidade e, ao mesmo tempo, ajuda a criar condições para que outros setores se desenvolvam.
É uma visão que desloca a discussão da mineração para uma questão mais ampla: como uma grande empresa pode fazer parte de uma cidade sem viver separada dela?
E, na visão de Clóvis, a resposta começa por uma relação simples, mas nem sempre fácil de construir: ser um bom vizinho.
O episódio completo do Itatiaia Negócios Cast, com Clóvis Torres, está disponível no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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Confira a entrevista completa:
Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.



