O que fazer quando você não consegue resolver um problema com seu banco
Com 82% das transações digitais, bancos investem em programas de centralidade no cliente para melhorar índices de solução e fidelização

Esgotar as tentativas de contato direto com o banco na hora de resolver um problema gera frustração e insegurança. Porém, esse não é o fim da linha. O sistema financeiro brasileiro e os órgãos de defesa do consumidor oferecem caminhos estruturados para quando os canais convencionais, como o SAC e a Ouvidoria, não apresentam uma solução satisfatória.
Atualmente, para boa parte das instituições, esse processo é facilitado pela centralização de protocolos no ambiente digital.
O limite dos canais internos e a importância do protocolo
Antes de buscar instâncias externas, é fundamental que o consumidor percorra o fluxo interno obrigatório:
- Contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor);
- Contato com a Ouvidoria (que atua como uma instância de revisão com prazo de resposta de até 10 dias úteis).
Se após esse período o problema persistir ou a resposta for negativa, o número de protocolo torna-se a ferramenta mais importante do cliente. Esse número comprova que a tentativa de solução amigável foi feita, sendo requisito essencial para os próximos passos.
Plataformas de mediação: agilidade sem burocracia
Quando o banco falha em resolver o impasse, o consumidor deve recorrer a plataformas que forçam uma nova análise por parte da instituição sob supervisão pública. São elas:
- Consumidor.gov.br: monitorada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a plataforma é um dos meios mais eficazes. Ao registrar a queixa, o banco tem 10 dias para responder. Instituições como o Inter utilizam esse canal para monitorar a qualidade de sua experiência e resolver casos complexos que fugiram ao fluxo padrão;
- Procon Municipal e Estadual: órgãos como o Procon são fundamentais para mediações presenciais ou digitais, podendo inclusive aplicar sanções administrativas caso a empresa descumpra o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Tecnologia e centralidade no cliente como redutores de atrito
Para evitar que as demandas cheguem a impasses críticos, instituições como o Inter têm investido em programas estruturados de experiência do cliente.
O Client Centricity Program (CCP), por exemplo, foi desenhado para minimizar pontos de fricção em toda a jornada do usuário. Em um único trimestre, a implementação dessa estratégia resultou em uma melhoria de 59% na pontuação do Inter no Ranking de Reclamações do Banco Central.
A tecnologia atua como aceleradora desse processo. O uso de agentes inteligentes, como a assistente de IA Seven, visa simplificar interações e antecipar necessidades dos mais de 44 milhões de clientes da instituição.
Eficiência operacional e métricas de satisfação
A maturidade digital permite que os bancos monitorem métricas em tempo real para identificar falhas antes que se tornem reclamações formais. Indicadores como o Net Promoter Score (NPS), que no Inter atinge 85 pontos, e o Customer Effort Score (CES) são utilizados para medir o esforço do cliente na resolução de problemas.
O reconhecimento desse modelo operacional veio através do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente 2026, na categoria Neobancos. A estratégia foca em liberar o atendimento humano para casos de alta complexidade, enquanto a IA e a automação garantem que a maioria das demandas seja resolvida na primeira jornada de contato.
A atuação do Banco Central e órgãos reguladores
O Banco Central do Brasil (BC) não atua como um juiz de causas individuais, mas sua intervenção é um dos mecanismos de pressão mais fortes do setor. Ao registrar uma demanda no sistema do BC, o consumidor consegue fazer com que a instituição financeira seja notificada e obrigada a fornecer uma resposta formal e fundamentada.
Para registrar a demanda, o consumidor deve acessar o site do Banco Central utilizando sua conta Gov.br (níveis Prata ou Ouro).
Quando recorrer à Justiça?
A via judicial deve ser considerada o último recurso, utilizada quando a mediação administrativa falha ou quando há danos morais e materiais significativos envolvidos.
Para causas de até 40 salários-mínimos, o consumidor pode recorrer aos Juizados Especiais Cíveis (JEC). Em casos de até 20 salários-mínimos, não é necessária a contratação de um advogado para dar entrada na ação.
FAQ ― Perguntas Frequentes
O que fazer se a Ouvidoria do banco não responder no prazo?
Se a Ouvidoria não responder em até 10 dias úteis, o consumidor deve registrar imediatamente uma reclamação no Consumidor.gov.br ou no Banco Central, informando o protocolo da Ouvidoria.
Posso reclamar no Banco Central sem ter falado com o banco antes?
Não. O sistema do Banco Central exige que você tenha tentado resolver o problema nos canais da instituição primeiro. O protocolo do SAC ou da Ouvidoria será solicitado.
O registro no Consumidor.gov.br é gratuito?
Sim, a plataforma é um serviço público gratuito e permite anexar documentos e comprovantes para embasar a queixa.
Como o Inter trata reclamações externas?
Como um banco digital, o Inter monitora ativamente as plataformas de mediação para garantir que problemas técnicos ou operacionais sejam corrigidos rapidamente, preservando a experiência do usuário no Super App.
Qual a diferença entre reclamar no Procon e no Banco Central?
O Procon foca na relação de consumo e nos direitos do cidadão (CDC), enquanto o Banco Central foca no cumprimento das normas bancárias e regulatórias do setor financeiro.
Jornalista e especialista em comunicação digital. Formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), atua em estratégia editorial digital, planejamento e produção de conteúdo para web em formato multiplataforma e foco em SEO para notícias. Na Itatiaia, Larissa Reis é freelancer e colabora com conteúdos de GEO.




