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Férias de julho: como PMEs podem transformar a baixa temporada em oportunidade

Mês com queda histórica em vendas, julho pode ser também uma oportunidade para apostar em fidelização e preparação para o segundo semestre

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Investir na presença digital da empresa também é essencial • Pixabay/Reprodução

Considerado parte da baixa temporada para o varejo brasileiro, o mês de julho historicamente desafia comerciantes e empreendedores a pensarem em estratégias elaboradas capazes de atrair o público de volta às lojas (ou ao comércio eletrônico). A ausência de datas comemorativas e feriados nacionais também coopera para a desaceleração nas vendas.

Enquanto alguns setores acendem durante o inverno — especialmente aqueles impulsionados pelo período de férias escolares, como turismo, hotelaria e lazer —, outros segmentos encaram o desafio de driblar a sazonalidade, a moderação no consumo e as restrições orçamentárias de muitas famílias. De acordo com o Índice do Varejo Stone, apenas em 2025, o mês apresentou um recuo de 1,1% em comparação ao mesmo período de 2024.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê uma expansão para o varejo no período, embora historicamente associe o mês de julho a um ritmo de baixo crescimento e vendas moderadas.

Julho costuma ser um período de transição no calendário do varejo. Depois das vendas de Dia das Mães, Dia dos Namorados e das férias de parte das famílias, existe uma redução natural no consumo em muitos segmentos, explica Ravell Nava, estrategista empresarial e fundador da BRL Educação, empresa voltada à formação de empresários e gestores.

Segundo Nava, lidar com o recuo histórico no volume faturado em julho depende de uma percepção ligada às oportunidades deste mês. O especialista afirma que muitos empresários interpretam essa desaceleração como uma crise, quando, na verdade, ela faz parte do ciclo do mercado. Quem entende esse comportamento consegue se preparar melhor e transformar um mês mais lento em um período de fortalecimento da operação.

A boa notícia é que é possível contornar o cenário a partir de estratégias que considerem o mês como um ponto de partida para ações robustas, com foco em datas com forte apelo comercial no segundo semestre. Para o estrategista, julho é o momento ideal para construir o que vai gerar resultado nos próximos meses.

Uma das estratégias sugeridas por Nava são as liquidações sazonais. Durante o mês de julho, a baixa nas vendas pode ser uma oportunidade para apostar nas liquidações com o intuito de renovar o estoque, lançar novas coleções e também manter um fluxo constante de caixa, mesmo diante das menores cifras.

Contudo, Nava destaca a importância de aplicar descontos apenas em contextos em que isso faça sentido para o negócio e para o posicionamento da marca. Ele afirma que a promoção faz sentido quando ajuda a cumprir um objetivo específico, como girar o estoque, aumentar o fluxo de clientes ou abrir espaço para uma nova coleção.

O período mais tranquilo pode ser usado de forma estratégica por lojistas que pretendem se preparar para a segunda metade do ano, repleta de campanhas e datas que movimentam o varejo, como o Dia dos Pais, a Black Friday e o Natal.

É o momento ideal para treinar equipes, revisar processos, ajustar estoque, analisar indicadores e estruturar campanhas futuras. Nava defende que é hora de revisar o calendário comercial, organizar campanhas, definir metas, preparar o estoque, alinhar fornecedores, estruturar ações de marketing e criar previsibilidade de vendas.

As recomendações também podem ser aplicadas a profissionais autônomos e microempreendedores individuais, que por sua vez também sentem o reflexo da desaceleração generalizada do comércio em sua atuação, como é o caso de escritórios de advocacia, consultórios e clínicas médicas. Fernanda Tochetto, psicóloga e fundadora do Tittanium Club, ecossistema de educação empresarial, reforça que o primeiro passo é entender que consultórios, clínicas e escritórios também são negócios, e que não basta atender bem, é preciso gerir a empresa.

Para esses negócios, a recomendação é manter as atividades em alta. Tochetto afirma que julho é um ótimo momento para fortalecer a comunicação com pacientes e clientes, produzir conteúdo relevante, estreitar o relacionamento com quem já conhece o trabalho e organizar estratégias para os próximos meses, concluindo que esperar o movimento voltar nunca foi uma estratégia.

Investir na presença digital da empresa também é essencial, avaliam os especialistas. Apostar em ações voltadas ao marketing e com forte presença nas redes sociais é uma forma valiosa de contornar a tradicional queda no faturamento, já que esses canais podem auxiliar diretamente na construção de relacionamento e na fidelização do cliente a longo prazo.

Este conteúdo foi produzido pelo Fundo de Impacto Estímulo - que apoia pequenos empreendedores brasileiros com crédito facilitado para crescer, capacitação para gestão e conexões para oportunidades - em parceria com a Itatiaia. Para saber mais visite o site do Estímulo.