Partículas finas em minérios desafiam beneficiamento e impulsionam inovação

A baixa recuperação de finos e ultrafinos no processamento mineral exige tecnologias avançadas e testes em escala piloto para reduzir perdas e aumentar a eficiência industrial

Testes em escala piloto permitem avaliar rotas de beneficiamento mais eficientes para o tratamento de partículas finas antes da aplicação industrial

A indústria mineral enfrenta um desafio crescente: o tratamento e aproveitamento de partículas finas e ultrafinas de minérios, que apresentam dificuldades tanto na separação quanto na recuperação de minerais valiosos.

Especialistas destacam que o controle tecnológico dessa fração é essencial para reduzir perdas e melhorar o desempenho das rotas de beneficiamento.

Por que partículas finas são mais difíceis de processar

As partículas finas, geralmente menores que algumas dezenas de micrômetros, se comportam de forma diferente daqueles de maior tamanho durante o beneficiamento.

Segundo uma análise publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a recuperação por flotação de finos e ultrafinos continua sendo um dos principais problemas do processamento mineral porque essas partículas têm baixa probabilidade de colisão e adesão com bolhas de ar nas células de flotação e podem ser arrastadas mecanicamente pelo fluxo de água sem se ligar à fase do ar, reduzindo a eficiência da separação.

Esse comportamento está ligado à baixa massa e alta área superficial relativa das partículas finas, o que altera a dinâmica de interação entre partículas, reagentes e bolhas de ar na célula e dificulta a captura seletiva do mineral desejado.

Tecnologias que melhoram a recuperação de finos

Para enfrentar esse desafio, diferentes tecnologias têm sido desenvolvidas ou adaptadas.

Em processos de flotação, por exemplo, técnicas como microbolhas ou bolhas menores geradas por ar dissolvido ou eletroflotação aumentam a probabilidade de interação entre partículas e bolhas, melhorando a recuperação.

Em revisões acadêmicas, pesquisadores explicam que a geração de bolhas com diâmetros menores aumenta a área interfacial disponível para a captura de partículas finas, o que pode aumentar a eficiência da flotação.

Além da flotação com microbolhas, outras abordagens como floculação, aglomeração por óleo ou sistemas alternativos de separação mecânica também estão sendo estudados para aumentar a recuperação em tamanhos muito pequenos.

Uma revisão técnica recente aponta que esses métodos podem superar algumas limitações da flotação convencional quando adequadamente adaptados ao tipo de minério e ao perfil de partículas finas presente.

Como a flotação de finos e ultrafinos aumenta o aproveitamento

A flotação é uma das principais etapas para separar minerais desejados do minério moído. Em condições ideais, partículas de interesse aderem a bolhas de ar e são levadas à superfície, formando um concentrado. Porém, na presença de finos e ultrafinos, esse processo tradicional perde eficiência se não há otimização das condições operacionais.

Estudos especializados indicam que, em circuitos modernos, a utilização de bolhas de tamanho adequado e condições químicas específicas, além de ajustes nos reagentes de coleta e espuma, podem aumentar significativamente a recuperação das partículas menores.

Essas técnicas conseguem elevar a probabilidade de colisão e adesão bolha-partícula, compensando o efeito negativo causado pela enorme superfície específica dos finos.

Principais desafios operacionais

O processamento de minérios finos implica desafios operacionais concretos. A elevada área superficial das partículas reduz a seletividade dos reagentes, levando a maior consumo de químicos e custos operacionais.

Além disso, finos podem causar instabilidades no leito de espuma, afetando tanto a recuperação quanto a qualidade do concentrado.

Outros problemas comuns incluem a formação de filmes de finos (“slime coating”) que recobrem minerais valiosos e dificultam sua separação, além de dificuldades de manuseio e transporte dentro dos circuitos de beneficiamento devido à sua baixa massa e alta tendência à suspensão.

Plantas piloto validam rotas mais eficientes

Para lidar com essas variáveis complexas, pesquisas em escala piloto são essenciais. Testes em plantas piloto permitem simular condições industriais reais, ajustar parâmetros de processo antes de grandes investimentos e comparar alternativas tecnológicas com dados operacionais concretos.

Esse tipo de etapa ajuda a identificar qual configuração de flotação, reagentes ou tecnologias complementares oferece melhor desempenho para um determinado minério de finos.

Ao combinar desempenho técnico e avaliação econômica, testes em planta piloto reduzem riscos na implantação industrial, oferecendo um caminho prático para que empresas mineradoras aumentem a recuperação de partículas finas e reduzam perdas de valor no beneficiamento.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria.

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