A indústria têxtil e de confecção brasileira encerrou 2025 com crescimento da produção, geração de empregos e avanço no varejo de vestuário, mas ainda enfrenta desafios estruturais e forte concorrência externa.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram aumento de 6,8% na produção têxtil e 0,7% na confecção entre janeiro e novembro, enquanto o setor criou 21,9 mil postos de trabalho formais no período.
Produção, emprego e contribuição para a inflação
Em 2025, o setor contribuiu para conter a inflação de itens essenciais, como habitação e alimentação, segundo a Abit.
O crescimento modesto da produção de vestuário e o avanço mais expressivo nos têxteis mostram um setor que conseguiu manter desempenho positivo em um ano marcado por juros elevados e incerteza global.
Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit, ressalta que “chegamos a 2026 com ritmo menor que começamos 2025, cercados de desafios estruturais importantes, sobretudo relacionados à competitividade e ao comércio internacional”.
Perspectivas para 2026
A expectativa para 2026 é de crescimento cauteloso, apoiado pela retomada gradual do crédito, queda lenta dos juros e inflação mais controlada.
Entre os desafios, persistem o alto custo de capital, dificuldade de novos investimentos produtivos e a intensificação da concorrência externa, principalmente de produtos asiáticos, em especial da China.
Pimentel também observa que o calendário eleitoral e eventos como a Copa do Mundo podem influenciar o consumo, mas também gerar volatilidade na produtividade e no desempenho econômico do setor.
Comércio exterior e pressão das importações
Em 2025, o setor manteve déficit comercial relevante. As exportações somaram US$ 951 milhões, com crescimento de 8% em relação a 2024, e maior presença em países da região, como Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos Estados Unidos.
Já as importações totalizaram US$ 6,81 bilhões, alta de 5,2%, com crescimento de 13,1% em volume de vestuário importado, impulsionado por produtos da Ásia.
Segundo Pimentel, “trata-se de uma concorrência muitas vezes assimétrica, baseada em subsídios, incentivos estatais e práticas que nem sempre seguem regras equivalentes às enfrentadas pela indústria brasileira”.
O consumo mundial de vestuário foi estimado em US$ 1,8 trilhão em 2024 e deve alcançar US$ 2,3 trilhões até 2030, com crescimento médio anual de 4%.
O comércio internacional de têxteis e vestuário somou cerca de US$ 875 bilhões em 2024, dominado por países asiáticos, aumentando a competição no mercado interno brasileiro.
Importância econômica e desafios estruturais
Ao final de 2025, a indústria têxtil e de confecção soma faturamento superior a R$ 220 bilhões, cerca de 25,7 mil empresas e 1,34 milhão de empregos diretos, ocupando a quinta posição no ranking global.
Pimentel ressalta que o setor possui capilaridade regional e relevância social, mas destaca que o desafio é transformar a recuperação conjuntural em avanço estrutural, com estabilidade macroeconômica, reformas, políticas industriais consistentes e inserção internacional competitiva.