Justiça aceita pedido de recuperação judicial do dono do Pão de Açúcar

Grupo entrou com pedido de recuperação nessa terça-feira (11), após apontar que no balanço de 2025 que havia uma ‘incerteza’ sobre a operação

Grupo Pão de Açúcar

A 3º Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo aceitou o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), segundo comunicado da empresa nesta quarta-feira (11). O processo busca renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões de dívidas sem garantia da companhia.

Segundo o GPA, o plano prevê a suspensão das obrigações da companhia junto aos credores e cria um “ambiente seguro” e estável para a continuidade das negociações por 90 dias. Do total de dívidas previstas no plano, o GPA conseguiu apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo - cerca de R$ 2,1 bilhões.

“O plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação. O plano também reflete a manutenção de um diálogo construtivo e de bom entendimento com os seus credores”, disse a empresa em fato relevante nessa terça-feira (10).

Ainda de acordo com o comunicado, a companhia espera conseguir apoio da maioria dos credores sujeitos ao processo, com a expectativa de chegar a uma solução estruturada que resolva a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo.

O plano foi estruturado para preservar as operações das lojas, que devem seguir funcionando normalmente. No balanço financeiro de 2025, divulgado no final de fevereiro, o GPA informou que havia uma “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da companhia.

Segundo o documento, o GPA apresentou um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, decorrente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão. Os recursos são usados para a empresa arcar com obrigações de curto prazo.

Agora, a empresa informa que as operações estão saudáveis e estão em dia com suas obrigações junto a fornecedores. “Clientes e parceiros, os quais estão excluídos e não serão afetados pelo processo de recuperação extrajudicial”, completou o comunicado.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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