A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avaliou de forma positiva a assinatura do Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul, formalizada no último sábado (17), em Assunção, no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações.
Apesar do avanço representado pela conclusão do tratado, a entidade destaca a necessidade de analisar com atenção seus impactos sobre a indústria brasileira e mineira.
O acordo envolve um parceiro comercial relevante para o Brasil. Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram cerca de US$ 231,81 bilhões, enquanto as importações alcançaram aproximadamente US$ 225,50 bilhões, resultando em um saldo positivo de US$ 6,31 bilhões.
A pauta exportadora brasileira é composta principalmente por combustíveis e óleos minerais, café, minérios, farelo de soja e soja. Do lado das importações, predominam combustíveis e óleos minerais refinados, máquinas e equipamentos, além de produtos plásticos, farmacêuticos e químicos orgânicos.
Em Minas Gerais, a balança comercial com o bloco europeu também é favorável. No mesmo período, as exportações do estado totalizaram cerca de US$ 31,0 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 13,38 bilhões, gerando um superávit de US$ 17,62 bilhões.
As vendas externas mineiras são concentradas em café, minério de ferro e ferroligas, além de outros produtos industriais. Já as importações incluem, principalmente, máquinas e equipamentos, produtos farmacêuticos e itens do setor automotivo, com destaque para partes e peças.
Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, a assinatura do acordo amplia o acesso a um mercado estratégico, mas exige cautela na avaliação de seus efeitos. Segundo ele, é fundamental considerar os impactos sobre a competitividade da indústria, especialmente nos setores mais sensíveis, levando em conta exigências regulatórias, sanitárias e ambientais, além dos prazos de adaptação previstos.
A FIEMG ressalta que os resultados do acordo dependerão diretamente de sua implementação. A entidade defende a adoção de medidas que garantam condições adequadas de concorrência, bem como instrumentos de apoio à competitividade e mecanismos de transição.
O objetivo, segundo a federação, é assegurar que a abertura comercial contribua para o fortalecimento da indústria, a preservação de empregos e a ampliação da capacidade produtiva e exportadora do Brasil e de Minas Gerais.