Mesmo sem anúncio da Petrobras, combustível tem reajuste em MG em meio à guerra

Motoristas relatam aumento no preço do etanol nos postos da capital; Governo Federal investiga possíveis abusos após tensão no Oriente Médio pressionar o mercado de combustíveis

Com a guerra no Oriente Médio, a possível alta do combustível gera apreensão em todo o país. Em Minas, já são registrados reajustes e, por isso, o Governo Federal investiga indícios de abusos nos postos.Na capital, o destaque é o etanol, que, segundo os motoristas, já encareceu R$ 0,60 no litro nesta semana:

Motorista de aplicativo, Fabrício Tavares afirma que o impacto no bolso é grande, já que o abastecimento faz parte da rotina de trabalho. “Cheguei a pagar R$ 4,29 no litro de etanol. Hoje paguei R$ 4,89. São 60 centavos de diferença, é muita coisa. A gente abastece praticamente todos os dias, cerca de 25 a 30 litros”, disse.

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O auxiliar administrativo Thiago Fernandes Braz, de 41 anos, também percebeu variação de preços entre os postos da cidade. “Na segunda-feira paguei R$ 4,38 no etanol. Depois rodei pela cidade e vi que os preços mudam muito de um posto para outro. Alguns são mais caros, outros mais baratos, mas nem sempre compensa rodar para procurar”, relatou.

Para quem trabalha dirigindo, como taxistas e motoristas de aplicativo, o impacto é ainda maior. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), João Paulo de Castro Dias, afirma que qualquer reajuste no combustível afeta diretamente a renda da categoria.

“Quando o combustível sobe, o taxista deixa de ganhar e passa a gastar mais. Em média, o taxista roda entre 100 e 150 quilômetros por dia e precisa abastecer diariamente. No fim do mês, isso faz muita diferença no orçamento”, explicou.

Segundo ele, embora o preço das corridas seja tabelado, os aumentos acabam pressionando o setor. “A gente não quer repassar esse custo para o consumidor, mas precisa conseguir manter o trabalho e a ferramenta que é o táxi”, disse.

Práticas abusivas

O advogado especialista em direito do consumidor Bruno Teodoro explica que aumentos sem justificativa podem ser considerados abusivos. “O consumidor deve desconfiar quando os preços sobem sem explicação. A crise internacional pode influenciar, mas até agora o que existe é mais especulação do que impacto real”, afirmou.

Ele ressalta que, embora a precificação dos combustíveis no Brasil seja livre, os postos precisam respeitar limites de margem. “Em geral, considera-se abusivo quando o lucro ultrapassa cerca de 20%, configurando vantagem excessiva”, disse.

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Entre as irregularidades investigadas estão preços abusivos e suspeitas de cartel entre postos. Em caso de suspeita, consumidores podem procurar o Procon, a Delegacia de Defesa do Consumidor ou o Ministério Público.

O Minaspetro, sindicato que representa os postos de combustíveis em Minas Gerais, afirmou que acompanha a situação e alertou para dificuldades enfrentadas por revendedores.

Segundo a entidade, distribuidoras estariam impondo restrições na venda de combustíveis, principalmente para postos de bandeira branca, o que teria provocado episódios pontuais de falta de combustível em alguns estabelecimentos.

De acordo com o sindicato, o setor segue monitorando as bases de distribuição e mantém os revendedores informados sobre possíveis impactos no abastecimento no estado.

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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