O
Para o pequeno e médio industrial, o cenário revela uma dicotomia entre o alívio nas matérias-primas básicas e a persistência de custos em setores de transformação. Apesar do recuo mensal, a pulsação de longo prazo da indústria ainda é de alta: o acumulado no ano atingiu 1,64%, enquanto nos últimos 12 meses o índice marca 1,69%.
O peso das indústrias extrativas e dos alimentos
O recuo de novembro foi ditado, primordialmente, pelas indústrias extrativas, que viram seus preços despencarem 5,01%. A queda no valor do minério de ferro e do óleo bruto de petróleo funcionou como uma âncora para o índice geral. Sem o peso desse setor, a variação da indústria teria sido quase nula, com uma retração tímida de 0,02%.
O setor de alimentos, pilar central do consumo interno, também contribuiu para o alívio nos custos ao recuar 0,95%. Esse fenômeno foi impulsionado pela maior oferta de cana-de-açúcar e pela queda nos preços das carnes bovinas, refletindo uma acomodação nas cadeias de suprimentos.
Resistência no refino e no setor químico
Nem todas as engrenagens, contudo, giraram na mesma direção. O industrial que depende de derivados de petróleo e produtos químicos encontrou um cenário de maior pressão. As atividades que registraram as maiores altas em novembro foram:
- Refino de petróleo e biocombustíveis: 0,57%;
- Produtos químicos: 0,44%;
- Metalurgia: 0,32%
A subida no refino, embora moderada, impacta diretamente o frete e a logística, custos que costumam corroer as margens das médias empresas. Na outra ponta, o setor químico segue influenciado pela volatilidade dos insumos importados e pelas cotações internacionais.
Perspectiva para o setor produtivo
A análise dos dados permite ao empresário uma leitura estratégica: a inflação “na porta da fábrica” está menos acelerada do que em períodos anteriores. Em novembro, 14 das 24 atividades industriais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apresentaram variações negativas.
Essa tendência de arrefecimento pode sinalizar uma estabilização necessária para o planejamento de compras e estoques. No entanto, o acumulado de 1,69% em 12 meses exige cautela, lembrando que a eficiência operacional e a gestão fina de insumos continuam sendo o melhor escudo contra as oscilações do mercado.