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Fim da escala 6x1: agro alerta para risco a pequenos produtores

Representantes do setor preveem aumento de até 8,6% nos custos e criticam desconsideração de particularidades do trabalho rural em propostas no Congresso

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Carteira de trabalho digital
Carteira de trabalho digital • Marcelo Camargo/Agência Brasil

O possível fim da escala 6x1 no Brasil tem gerado preocupação crescente no setor do agronegócio, que alerta para o aumento de custos e o impacto na colheita e no transporte de produtos. Patrícia Arantes, diretora da Sociedade Rural Brasileira (SRB), critica a falta de consideração do cenário do trabalho rural nas propostas em tramitação no Congresso Nacional.

"Uma das grandes preocupações que nós temos como setor é que realmente o nosso cenário do trabalho rural não é levado em conta na PEC", declarou Patrícia Arantes à CNN Money, nesta quinta-feira (18).

A diretora da SRB destacou que a proposta, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), oferece maior liberdade para a contratação e poderia ser mais adequada à realidade do campo.

No entanto, a PEC 221 e o projeto de lei apresentado pelo governo na Câmara — que teve a urgência retirada e foi tema de discussões sobre projetos de interesse do setor — não contemplam regras específicas para o trabalho rural nem para o abastecimento alimentar.

Segundo ela, essas propostas também desconsideram a Lei 5.889, de 1973, que trata especificamente do trabalho em períodos de safra.

De acordo com levantamentos do Ministério do Trabalho e da Frente Parlamentar Agropecuária, apresentados em audiência pública na CCJ da Câmara, a implementação da medida representaria um aumento de aproximadamente 7,8% a 8,6% nos custos de contratação para o setor agropecuário.

"Tendo essa dificuldade de colheita, de logística, de manejo, é claro que a oferta diminui, e aí dessa forma no supermercado fica mais caro", alertou Patrícia Arantes.

A representante da SRB ressaltou que os impactos da PEC não seriam homogêneos dentro do setor. Produtores de menor porte, que já enfrentam juros elevados e margens apertadas, seriam os mais vulneráveis, especialmente diante de um crédito restrito no campo.

Dificuldades de contratação

Enquanto grandes operações dispõem de capital de giro para absorver alterações na folha de pagamento, um pequeno produtor de leite que emprega apenas um trabalhador ou membros da própria família poderia ser forçado a dispensar esse profissional.

• Canva/ Banco de imagem
• Canva/ Banco de imagem

"Isso é muito ruim para nós, porque pode acabar concentrando mais o mercado, retirando produtores pequenos da operação, porque realmente o custo vai ficar muito alto", afirmou.

Patrícia Arantes apontou três fatores principais que já dificultam a contratação no agronegócio: o deslocamento da população do interior para os centros urbanos, a falta de qualificação para operar maquinários modernos e a preferência de parte da população pelos auxílios governamentais em detrimento da qualificação profissional.

Para ela, a liberdade de negociação entre trabalhador e contratante é fundamental para que o setor possa atrair e reter talentos.

Ao analisar experiências internacionais, Patrícia Arantes citou países com forte vocação agrícola que adotam modelos mais flexíveis de contratação: os Estados Unidos, cuja legislação trabalhista é baseada na negociação direta entre trabalhador e empregador; a Austrália, com entendimento semelhante aplicado à realidade de trabalhadores safristas; e a Argentina, onde vigem 44 horas semanais e foi aprovada legislação que permite ao trabalhador optar por trabalhar além da jornada padrão, com todos os direitos garantidos proporcionalmente.

"Se nós não ficarmos de olho e tivermos bastante atenção em relação a isso, nossos competidores podem nos superar em relação a preços mais competitivos também por conta dessa questão trabalhista", concluiu.

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