Itatiaia

Setor mineral garante que barragens a montante não fazem parte de mineração do futuro

Com novas tecnologias e mudanças nos procedimentos, barragens construídas nesse método serão completamente descaracterizadas até 2035

Por
Filtro prensa: Samarco já trabalha com sistema de filtragem e empilhamento a seco
Filtro prensa: Samarco já trabalha com sistema de filtragem e empilhamento a seco • Reprodução Samarco

No Brasil, as barragens de rejeitos a montante serão totalmente extintas até 2035. De acordo com mineradoras e poder público, essas estruturas não fazem parte do que o setor classifica como mineração do futuro.

Das 54 estruturas identificadas em Minas Gerais, 21 já foram descaracterizadas. A expectativa é que 90% sejam eliminadas nos próximos dois anos. Com isso, segundo as projeções, as estruturas mais complexas devem precisar do prazo final, em 2035.

Após a sanção da lei Mar de lama nunca mais e de um acordo com o Ministério Público de Minas, as mineradoras devem apresentar relatórios periódicos sobre o andamento desses processos de eliminação, como destaca o procurador-geral de Justiça de Minas, Paulo de Tarso.

“As mineradoras têm obrigação de nos informar, sem prejuízo de exercermos a fiscalização. Elas precisam relatar o andamento dos trabalhos para a descaracterização”, afirma Paulo de Tarso.

Paulo de Tarso

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirma que a companhia já eliminou mais da metade das estruturas.

“A gente assumiu um compromisso com a sociedade mineira e com os brasileiros de descaracterizar e eliminar todas as barragens a montante da empresa. No nosso caso, são 30 barragens. Já fizemos quase 60% desse trabalho de eliminação e hoje não temos mais nenhuma barragem em nível mais alto de emergência”, detalha Gustavo Pimenta.

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, diz que os novos empreendimentos da empresa não utilizam mais barragens.

“Tem uma transformação muito grande acontecendo em Minas Gerais, que é o que se chama de empilhamento a seco. Ao invés de ter uma barragem de água, essa água é retirada através de processos de filtragem, formando uma espécie de torta seca que passa a ser empilhada. Isso traz um nível de segurança muito maior do que existia antes", explica Werneck.

CEO da Gerdau, Gustavo Werneck

"Em Miguel Burnier, em Ouro Preto, a Gerdau está fazendo empilhamento a seco com o que há de mais avançado em tecnologia de processo. Somos uma das poucas empresas no mundo certificadas com o selo IRMA, uma grande certificadora internacional de mineração, que atesta que os nossos processos cumprem os maiores requisitos de segurança possíveis dentro do que é conhecido no mundo”, completa o CEO Gustavo Werneck.

Com novas licenças ambientais e autorização para retomada das atividades, a Samarco já opera com 60% da capacidade e projeta chegar a 100% em 2028. O CEO da empresa, Rodrigo Vilela, garante que todo o processo ocorre sem barragens.

“Nós eliminamos o uso de barragens de rejeitos, implementamos sistemas de filtragem e mudamos o sistema de monitoramento com o uso de inteligência artificial. Estamos investindo de maneira significativa na reciclagem, seja de água ou de nossos produtos. Essa é uma mudança muito significativa”, afirma Rodrigo Vilela.

CEO da Samarco, Rodrigo Vilela

Na CSN, a produção também já adota o modelo de empilhamento a seco, como explica o diretor executivo de investimentos, Otto Levy.

“Desde o final de 2019, a CSN filtra 100% da produção. Ou seja, não utiliza mais barragens de rejeitos para produzir nada. Temos investido no processo de filtragem e na criação e construção de pilhas de rejeitos, que é um método muito mais seguro do que qualquer barragem”, comenta Otto Levy.

Diretor executivo de investimentos da CSN, Otto Levy

Por

Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

 

 

Belo Horizonte